No artigo “O papel do arquivista na gestão do conhecimento”, Lamberto Ricarte Serra Junior procura apresentar algumas definições a respeito da Gestão do Conhecimento (GC) e demonstrar como o arquivista pode trabalhar nesta nova gestão organizacional das empresas. Antes de tratar diretamente do assunto, o autor demonstra o contexto em que a GC surgiu e depois traça um perfil da Gestão da Informação, papel tradicionalmente desempenhado pelo arquivista e um sobre a Gestão do Conhecimento, esta nova disciplina que pode ser por ele ocupada.
O excessivo acúmulo de informações, a grande concorrência entre as organizações e rápidas mudanças dos meios de comunicação, sobretudo com o advento da Internet no início da década de 1990 levou empresas, tanto do setor privado quanto do setor público, a investirem em aprimoramento dos processos de gestão. As relações entre pessoas e o conhecimento gerado através da troca ou captura de informações, dentro ou fora das instituições, ganharam reconhecimento e valor. O que pode resultar em maior sucesso nos negócios da empresa, ou melhor, cumprimento de sua missão. É nesse contexto que nasce a Gestão do Conhecimento. E o arquivista é profissional com formação suficientemente preparada para trabalhar neste novo contexto de gestão. Mas Serra Junior aponta que o arquivista precisa ir além das funções tradicionais.
Tradicionalmente o profissional de arquivo trabalha com a Gestão da Informação. Citando ROEDEL (2005, p. 75), o autor aponta que a informação “pode ser entendida como dados que fazem a diferença a partir do momento em que são dotados de significados, organizados e comunicados.” As informações são extremamente úteis às organizações e aos seus tomadores de decisão. Mas estas informações por si só não geram conhecimentos. O Arquivista é responsável por implementar “um conjunto de medidas que visam à racionalização e a eficácia no uso e circulação de dados informação e a aplicação das teorias e técnicas da ciência da informação aos sistemas de informação”. (Dicionário de Terminologia Arquivística de Lisboa, apud SERRA JUNIOR). Apesar de toda esta gestão do fluxo da informação, tanto interna quanto externa de uma instituição, o arquivista não consegue, neste contexto, transformar esta informação em conhecimento.
Segundo SERRA JUNIOR “as informações pode ser convertidas em conhecimento por meio de ações executadas por pessoas e entre pessoas”. Tal processo de transformação, entre outras, compreende as seguintes ações: comparação, conseqüências, conexões, conversação. Davenport e Prusak (1998, p.6) (apud SERRA JUNIOR) descrevem que conhecimento é “uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações”. Canals explica que a gestão do conhecimento pode ser entendida como um tripé formado por Pessoas, Informação e Tecnologia. A gestão do conhecimento é multidisciplinar, pois agrega profissionais de vários setores de uma empresa ou variada formação profissional.
Neste modelo, como observa o autor, “dentre o grupo de profissionais que colaboram para a implementação de práticas de gestão do conhecimento nas organizações, é imprescindível que seja incluído o arquivista, cujo foco principal de atuação é, tradicionalmente, o conjunto de informações orgânicas produzidas e recebidas pelas instituições”. Mas para fazer parte de um corpo de gestão do conhecimento o arquivista precisa “ver o conhecimento de forma global”. Precisa se entender melhor a terminologia em torno da GC, repensar os papéis tradicionais de sua função procurar tratar também não só de arquivos físicos, mas informações em suportes digitais como fontes de informação que auxiliarão no processo de tomada de decisão da organização.
Outro papel que o arquivista pode desenvolver nesta nova disciplina é a função de criador de conhecimento. Um dos maiores problemas das grandes organizações é justamente “como controlar as informações e o conhecimento que realmente agregam valor”. Este campo é mais concorrido, pois não há órgão de registro que regule o exercício dessa profissão. E, para trabalhar esta área o arquivista precisa saber trabalhar em grupo e sobretudo, saber dialogar com a área de TI, parceira no desenvolvimento de sistemas de informação.
“O conhecimento arquivístico, associado com os demais saberes das ciências da informação, é fundamental para o sucesso de projetos de gestão do conhecimento. A contribuição da gestão da informação como técnica de controle dos conhecimentos explicitados é apenas uma das diversas facetas onde a atuação do profissional de arquivo deve estar focada”. Essa área é nova, mas o arquivista tem um grande potencial para a execução de suas atividades. É preciso adequar um pouco o projeto de estudos, aprender novas tarefas, algumas das quais ainda fora do universo de formação deste profissional. Parece algo quase natural a migração ou a inserção do arquivista nesta nova área. Por trabalhar com informação e por possuir bons conhecimentos em fluxos e processos de informação, o arquivista pode contribuir muito em grupos de gestão do conhecimento. Demorou-se um pouco para ser observado este novo campo, agora ele precisa ser explorado.
Um exemplo de atuação para este profissional é no campo da área médica, ligado ao SAME (Serviço de Atendimento ou Arquivo Médico). Há alguma variação na extensão da sigla por certas Unidades de Saúde. O profissional de arquivo pode trabalhar com os Prontuários de Pacientes do Hospital e gerar conhecimento para a Instituição ou organizar e melhorar o quadro de informação em torno destes documentos.
“O Módulo Arquivo Médico, também, conhecido como SAME, tem como objetivo auxiliar na organização administrativa da US, cadastrando todos os prontuários de pacientes egressos, alterando dados cadastrais e emitindo relatórios com informações para o controle do hospital.
Dentre as diversas aplicações deste Módulo, destacamos:
— Permite a avaliação sobre as rotinas operacionais da unidade de saúde.
— Possibilita a criação do Cadastro Único de Pacientes da Unidade de Saúde (registro/prontuário);
— Disponibiliza para todos os demais módulos as informações cadastrais do paciente;
— Possibilita a pesquisa rápida e direta às informações do paciente;
— Avalia a consistência dos dados fornecidos por cada setor;
— Permite a avaliação sobre as rotinas operacionais da unidade de saúde.”
O arquivista é um profissional preparado para fazer parte do grupo de trabalho. O que falta é um incentivo maior ou oportunidade a ser oferecida pela Unidades de Saúde.
Resenha de: Sergio Barbosa da SILVA
Este blog é uma ferramenta para troca de informações sobre TCC, metodologia da pesquisa, redação científica, estrutura do trabalho acadêmico e normalização de citações e referências.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
O que é metodologia científica?
Resenha elaborada por: Rita C. Freire
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS NO SÉCULO XX
As tensões e conflitos relacionados ao desenvolvimento e expansão do modo de produção capitalista, verificados já no final do século XIX, ampliam-se e ganham novos contornos no início do século seguinte: as duas Guerras Mundiais e as experiências políticas totalitárias delas decorrentes – o fascismo e o nazismo; a Revolução Socialista na Rússia; a quebra da Bolsa de Nova York. Esses acontecimentos podem ser tomados como índices da falência ética e política das sociedades ocidentais. Surge uma nova onda de ceticismo e irracionalismo, assim como um descrédito com relação à possibilidade de convivência pacífica entre os homens e de superação das particularidade (diferenças individuais, grupais, étnicas, nacionais, etc.).
Nesse contexto, surgem propostas para a produção do conhecimento científico ainda atreladas ao ideal de objetividade: trata-se justamente de salvar a civilização ocidental do caos pelo resgate da razão. Nesse sentido, o projeto iluminista vai reaparecer em tendências metodológicas, tais como o empirismo lógico e a fenomenologia, no século XX. Ao mesmo tempo, sugem outras tendências metodológicas que discutem, entre outras coisas, a neutralidade da ciência, isto é, se é possível a independência do sujeito com relação ao objeto do conhecimento. Se o conhecimento não é neutro, então a questão da produção do conhecimento científico não é só cognitiva mas também ética e política.
A continuidade do projeto epistemológico da modernidade: novas tendências
Três tendências metodológicas buscam manter e aprofundar os fundamentos teóricos estabelecidos já quando do nascimento da ciência moderna.
Neopositivismo
Os principais representantes do neopositivismo, também chamado de empirismo lógico, reuniram-se no grupo conhecido como Círculo de Viena e tem um objetivo em comum: a luta contra o pensamento metafísico, não só na ciência como em todas as esferas do comportamento humano. A concepção de ciência implica uma produção de conhecimento atrelada a uma transformação racional da ordem social. Para os neopositivistas, a linguagem da ciência é capaz de exprimir universalmente o que a experiência nos oferece, pois o conhecimento produzido pela razão pura, independente da experiência empírica, não é legítimo.
Fenomenologia
A fenomenologia se opõe à separação entre o sujeito produtor de conhecimento e o objeto. Afirma que o conhecimento é resultado da interação entre o que o sujeito observa e o sentido que ele fornece à coisa percebida: toda consciência é intencional.
A fenomenologia não admite que existam fatos que por si só garantem a objetividade da ciência. Os fatos se constituem a partir dos sentidos conferidos a eles pela consciência e se referem, de fato, à realidade dos objetos, o que eles são. No entanto, alcançar essas essências requer um método (fenomenológico). O processo de transformação de objetos individuais contingentes em fenômeno é fruto de um esforço de redução, quer dizer, reduzimos nossa experiência de um objeto e, ao assim fazermos, alcançamos o que é permanente naquele objeto, em sua natureza última. Por esse motivo, a fenomenologia ainda é considerada como parte do projeto moderno de fundamentação da ciência, apesar de seu esforço de superação da separação entre sujeito e objeto.
Estruturalismo
Por volta da metade do século XX, surge outra tendência metodológica, relacionada sobretudo às ciências humanas: o estruturalismo. De uma maneira geral, o método estruturalista pretende alcançar leis universais que expliquem o modo de funcionamento dos fenômenos humanos. São as estruturas que, de forma inconsciente, controlam o comportamento humano. O ideal de cientificidade para as ciências humanas é alcançado, uma vez que, ao desvendar as estruturas, esta-se enunciando leis gerais sobre o modo de funcionamento das sociedades humanas.
Rupturas com o projeto epistemológico da modernidade
No século XX assistimos também ao surgimento de tendências que marcam uma ruptura com o projeto moderno de fundamentação da ciência. É bem verdade que críticas a este projeto nunca deixaram de existir. No entanto, a valorização da permanência ou da regularidade dos fenômenos, assim como a separação entre sujeito e objeto, foram dois dos aspectos que predominaram, chegando a influenciar tendências elaboradas no século XX.
A superação do projeto moderno de ciência, no que se refere à permanência e regularidade dos fenômenos e à separação entre sujeito e objeto, ganha força não só pela reflexão sobre um novo estatuto epistemológico da ciência, com também por causa dos avanços das descobertas científicas que permeiam as várias áreas das ciências que vão sendo desbravadas na passagem dos séculos XIX para o XX.
Rupturas com o projeto epistemológico da modernidade
O debate em torno do desenvolvimento da ciência ganha novos contornos ao se concentrar no seu aspecto interno, não levando muito em conta as influências externas a esse desenvolvimento, como os movimentos sociais, culturais, políticos e econômicos.
Pragmatismo
O pragmatismo é outra tendência metodológica surgida ao longo do século XX. É uma concepção que não compartilha o pressuposto de que as verdades científicas correspondem a uma realidade independente do sujeito. As contingências histórico-culturais determinam as descrições da realidade que são feitas pelos cientistas. Este é o critério de verdade pragmatista: que a descrição feita permita retirar da realidade conseqüências práticas.
Uma vez que o conhecimento científico é uma atividade humana, essa dimensão – a humana – torna-se o critério básico com o qual o pragmatismo analisa o alcance das formulações do conhecimento científico.
Construcionismo
Surgida também no século XX, a tendência construcionista se apresenta com o papel estruturados operado pela linguagem, considerando que tanto o sujeito como o objeto do conhecimento são construções sociais e históricas. Ou seja, a maneira pela qual o sujeito percebe a realidade é datada, posto que determinada por suas condições sociais e históricas de existência. Da mesma forma o é o objeto que ele, sujeito, se propõe a pesquisar.
Nesta perspectiva, na medida em que tanto sujeito como objeto do conhecimento se constituem como crenças ou convenções sociais, resta, como parte do processo de pesquisa, o caminho da desconstrução, da discussão e do combate destas mesmas crenças, sobretudo quando elas se apresentam como forma de dominação.
A implicação ética dessa tendência é a de que as verdades existem como convenções que podem e devem ser discutidas em função do próprio homem, ou melhor, de suas relações sociais e históricas.
O construcionismo, ao estabelecer que tanto o sujeito como o objeto são construções sociais que devem estar o tempo todo se desconstruindo, leva a perspectiva interacionista de análise de produção do conhecimento até as últimas conseqüências.
RETOMANDO O ROTEIRO DE VIAGEM...
A viagem esteve dirigida por duas questões. A primeira analisou os diferentes modos como a relação sujeito-objeto é considerada nas diversas perspectivas metodológicas ou epistemológicas. A segunda tratou da forma como a realidade foi, por essas diversas tendências, concebida.
O papel do sujeito na produção do conhecimento se modifica de tal forma que de purificado e neutro – uma vez que só assim seria capaz de refletir a natureza – passa a ser concebido como historicamente determinado. O universalismo (a pretensão da descoberta de leis gerais e eternas), apoiado por uma base metafísica (que garantiria as verdades da ciência), vai cedendo lugar ao caráter parcial, contingente e precários do produtor da ciência: o sujeito humano. No século XX, os avanços e recuos da tendência histórica com relação ao modelo da tendência histórica com relação ao modelo universalista são visíveis.
A ciência é parte do mundo moderno e é determinada pelas condições históricas das quais faz parte. Não por acaso o produtor do conhecimento é tomado como um sujeito racional e livre, capaz de, por si só, elaborar pressupostos para a ciência, inclusive os metafísicos. Tal sujeito, com a sua pretensão de autonomia, é uma das maiores invenções da modernidade, contexto no qual surge a ciência. Por sua vez, o conhecimento científico e seus produtos determinam mudanças na vida social de forma tal que, atrelados a determinações socioeconômicas, passam a constituir novas formas de vida e de relações entre os homens.
A crítica ao universalismo também implicou o aprendizado de outra perspectiva de realidade: o da sua transformação. Se, por um lado, a onipotência do homem (que tudo quer conhecer) ficou abalada, por outro, suas possibilidades de aprendizado do mundo se ampliaram na medida em que o mistério e a novidade estão sempre a bater na sua porta. Em síntese: a realidade não se submete aos esquemas conceituais que o homem inventa para compreendê-la. O que significa que a aventura de produção da ciência continua. A cada decisão de caráter metodológico que o pesquisador tomar, questões de epistemologia emergirão e, se for necessário, uma volta à discussão será útil.
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS NO SÉCULO XX
As tensões e conflitos relacionados ao desenvolvimento e expansão do modo de produção capitalista, verificados já no final do século XIX, ampliam-se e ganham novos contornos no início do século seguinte: as duas Guerras Mundiais e as experiências políticas totalitárias delas decorrentes – o fascismo e o nazismo; a Revolução Socialista na Rússia; a quebra da Bolsa de Nova York. Esses acontecimentos podem ser tomados como índices da falência ética e política das sociedades ocidentais. Surge uma nova onda de ceticismo e irracionalismo, assim como um descrédito com relação à possibilidade de convivência pacífica entre os homens e de superação das particularidade (diferenças individuais, grupais, étnicas, nacionais, etc.).
Nesse contexto, surgem propostas para a produção do conhecimento científico ainda atreladas ao ideal de objetividade: trata-se justamente de salvar a civilização ocidental do caos pelo resgate da razão. Nesse sentido, o projeto iluminista vai reaparecer em tendências metodológicas, tais como o empirismo lógico e a fenomenologia, no século XX. Ao mesmo tempo, sugem outras tendências metodológicas que discutem, entre outras coisas, a neutralidade da ciência, isto é, se é possível a independência do sujeito com relação ao objeto do conhecimento. Se o conhecimento não é neutro, então a questão da produção do conhecimento científico não é só cognitiva mas também ética e política.
A continuidade do projeto epistemológico da modernidade: novas tendências
Três tendências metodológicas buscam manter e aprofundar os fundamentos teóricos estabelecidos já quando do nascimento da ciência moderna.
Neopositivismo
Os principais representantes do neopositivismo, também chamado de empirismo lógico, reuniram-se no grupo conhecido como Círculo de Viena e tem um objetivo em comum: a luta contra o pensamento metafísico, não só na ciência como em todas as esferas do comportamento humano. A concepção de ciência implica uma produção de conhecimento atrelada a uma transformação racional da ordem social. Para os neopositivistas, a linguagem da ciência é capaz de exprimir universalmente o que a experiência nos oferece, pois o conhecimento produzido pela razão pura, independente da experiência empírica, não é legítimo.
Fenomenologia
A fenomenologia se opõe à separação entre o sujeito produtor de conhecimento e o objeto. Afirma que o conhecimento é resultado da interação entre o que o sujeito observa e o sentido que ele fornece à coisa percebida: toda consciência é intencional.
A fenomenologia não admite que existam fatos que por si só garantem a objetividade da ciência. Os fatos se constituem a partir dos sentidos conferidos a eles pela consciência e se referem, de fato, à realidade dos objetos, o que eles são. No entanto, alcançar essas essências requer um método (fenomenológico). O processo de transformação de objetos individuais contingentes em fenômeno é fruto de um esforço de redução, quer dizer, reduzimos nossa experiência de um objeto e, ao assim fazermos, alcançamos o que é permanente naquele objeto, em sua natureza última. Por esse motivo, a fenomenologia ainda é considerada como parte do projeto moderno de fundamentação da ciência, apesar de seu esforço de superação da separação entre sujeito e objeto.
Estruturalismo
Por volta da metade do século XX, surge outra tendência metodológica, relacionada sobretudo às ciências humanas: o estruturalismo. De uma maneira geral, o método estruturalista pretende alcançar leis universais que expliquem o modo de funcionamento dos fenômenos humanos. São as estruturas que, de forma inconsciente, controlam o comportamento humano. O ideal de cientificidade para as ciências humanas é alcançado, uma vez que, ao desvendar as estruturas, esta-se enunciando leis gerais sobre o modo de funcionamento das sociedades humanas.
Rupturas com o projeto epistemológico da modernidade
No século XX assistimos também ao surgimento de tendências que marcam uma ruptura com o projeto moderno de fundamentação da ciência. É bem verdade que críticas a este projeto nunca deixaram de existir. No entanto, a valorização da permanência ou da regularidade dos fenômenos, assim como a separação entre sujeito e objeto, foram dois dos aspectos que predominaram, chegando a influenciar tendências elaboradas no século XX.
A superação do projeto moderno de ciência, no que se refere à permanência e regularidade dos fenômenos e à separação entre sujeito e objeto, ganha força não só pela reflexão sobre um novo estatuto epistemológico da ciência, com também por causa dos avanços das descobertas científicas que permeiam as várias áreas das ciências que vão sendo desbravadas na passagem dos séculos XIX para o XX.
Rupturas com o projeto epistemológico da modernidade
O debate em torno do desenvolvimento da ciência ganha novos contornos ao se concentrar no seu aspecto interno, não levando muito em conta as influências externas a esse desenvolvimento, como os movimentos sociais, culturais, políticos e econômicos.
Pragmatismo
O pragmatismo é outra tendência metodológica surgida ao longo do século XX. É uma concepção que não compartilha o pressuposto de que as verdades científicas correspondem a uma realidade independente do sujeito. As contingências histórico-culturais determinam as descrições da realidade que são feitas pelos cientistas. Este é o critério de verdade pragmatista: que a descrição feita permita retirar da realidade conseqüências práticas.
Uma vez que o conhecimento científico é uma atividade humana, essa dimensão – a humana – torna-se o critério básico com o qual o pragmatismo analisa o alcance das formulações do conhecimento científico.
Construcionismo
Surgida também no século XX, a tendência construcionista se apresenta com o papel estruturados operado pela linguagem, considerando que tanto o sujeito como o objeto do conhecimento são construções sociais e históricas. Ou seja, a maneira pela qual o sujeito percebe a realidade é datada, posto que determinada por suas condições sociais e históricas de existência. Da mesma forma o é o objeto que ele, sujeito, se propõe a pesquisar.
Nesta perspectiva, na medida em que tanto sujeito como objeto do conhecimento se constituem como crenças ou convenções sociais, resta, como parte do processo de pesquisa, o caminho da desconstrução, da discussão e do combate destas mesmas crenças, sobretudo quando elas se apresentam como forma de dominação.
A implicação ética dessa tendência é a de que as verdades existem como convenções que podem e devem ser discutidas em função do próprio homem, ou melhor, de suas relações sociais e históricas.
O construcionismo, ao estabelecer que tanto o sujeito como o objeto são construções sociais que devem estar o tempo todo se desconstruindo, leva a perspectiva interacionista de análise de produção do conhecimento até as últimas conseqüências.
RETOMANDO O ROTEIRO DE VIAGEM...
A viagem esteve dirigida por duas questões. A primeira analisou os diferentes modos como a relação sujeito-objeto é considerada nas diversas perspectivas metodológicas ou epistemológicas. A segunda tratou da forma como a realidade foi, por essas diversas tendências, concebida.
O papel do sujeito na produção do conhecimento se modifica de tal forma que de purificado e neutro – uma vez que só assim seria capaz de refletir a natureza – passa a ser concebido como historicamente determinado. O universalismo (a pretensão da descoberta de leis gerais e eternas), apoiado por uma base metafísica (que garantiria as verdades da ciência), vai cedendo lugar ao caráter parcial, contingente e precários do produtor da ciência: o sujeito humano. No século XX, os avanços e recuos da tendência histórica com relação ao modelo da tendência histórica com relação ao modelo universalista são visíveis.
A ciência é parte do mundo moderno e é determinada pelas condições históricas das quais faz parte. Não por acaso o produtor do conhecimento é tomado como um sujeito racional e livre, capaz de, por si só, elaborar pressupostos para a ciência, inclusive os metafísicos. Tal sujeito, com a sua pretensão de autonomia, é uma das maiores invenções da modernidade, contexto no qual surge a ciência. Por sua vez, o conhecimento científico e seus produtos determinam mudanças na vida social de forma tal que, atrelados a determinações socioeconômicas, passam a constituir novas formas de vida e de relações entre os homens.
A crítica ao universalismo também implicou o aprendizado de outra perspectiva de realidade: o da sua transformação. Se, por um lado, a onipotência do homem (que tudo quer conhecer) ficou abalada, por outro, suas possibilidades de aprendizado do mundo se ampliaram na medida em que o mistério e a novidade estão sempre a bater na sua porta. Em síntese: a realidade não se submete aos esquemas conceituais que o homem inventa para compreendê-la. O que significa que a aventura de produção da ciência continua. A cada decisão de caráter metodológico que o pesquisador tomar, questões de epistemologia emergirão e, se for necessário, uma volta à discussão será útil.
O que é metodologia científica?
Resenha elaborada por: Rita C. Freire
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
A EMERGÊNCIA DAS CIÊNCIAS HUMANAS:
A CONSTRUÇÃO DE NOVAS TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS
NO CONTEXTO HISTÓRICO DO SÉCULO XIX
O século XIX se apresenta com algumas características peculiares, a primeira delas se referindo à continuidade das transformações engendradas pelas duas grandes revoluções: uma de cunho mais econômico – a chamada Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra – e a Revolução Francesa, de natureza política, ambas na segunda metade do século XVIII.
As ciências humanas surgem como tentativa de compreensão das crises que então se instalam. Duas tendências metodológicas marcam e configuram a construção de novos objetos de conhecimento: o positivismo e o materialismo histórico-dialético.
O positivismo
O positivismo, fundado por A. Comte, está relacionado com o aparecimento da sociologia. O método proposto pelo positivismo para as ciências sociais deveria ser o das ciências da natureza:
1. Observação neutra, objetiva, desligada dos fenômenos, o que implica uma separação entre o sujeito produtor de conhecimento e seu objeto de estudo;
2. Valorização exclusiva do fato, tomado como aquilo que pode ser conhecido somente através da observação e da experiência.
3. Segmentação da realidade, ou seja, a compreensão da totalidade se dá pela compreensão das partes que a compõem.
A rigidez com que Comte concebe tanto o sistema social quanto o da natureza impede a compreensão da realidade como processo. Um exemplo disso é a sua dificuldade em aceitar a teoria da evolução de Darwin, uma vez que esta impede classificações fixas dos seres vivos.
O materialismo-dialético
O materialismo-dialético concebido por K. Marx constitui outra tendência metodológica que configura uma forma de conceber a realidade social. Os seus fundamentos são:
1. A base da sociedade e do próprio homem é o trabalho. As idéias devem ser analisadas a partir da compreensão do modo de produção (economia) que caracteriza um momento histórico de uma sociedade, o que não implica que as idéias estejam sempre em consonância com a ordem vigente.
2. O homem se faz historicamente, em condições determinadas, passa a ser determinado e determinante da/pela natureza e por outros homens, à medida que transforma a natureza para satisfazer suas necessidades básicas e, nesse processo, cria novas necessidades que se transformam também.
3. O conhecimento científico é uma ferramenta de compreensão e de transformação da sociedade humana, o que implica a ausência de neutralidade da ciência, uma vez que se estará analisando sempre uma formação histórica de um determinado ponto de vista: a classe explorada.
4. O conhecimento a-histórico se apresenta como aparência, uma vez que não revela suas condições históricas de produção. Uma análise histórica e dialética, portanto, seria aquela que alcançaria a essência dos fenômenos, revelando-os como inter-relacionados com outros fenômenos com os quais e a partir dos quais constituem totalidades dinâmicas.
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
A EMERGÊNCIA DAS CIÊNCIAS HUMANAS:
A CONSTRUÇÃO DE NOVAS TENDÊNCIAS METODOLÓGICAS
NO CONTEXTO HISTÓRICO DO SÉCULO XIX
O século XIX se apresenta com algumas características peculiares, a primeira delas se referindo à continuidade das transformações engendradas pelas duas grandes revoluções: uma de cunho mais econômico – a chamada Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra – e a Revolução Francesa, de natureza política, ambas na segunda metade do século XVIII.
As ciências humanas surgem como tentativa de compreensão das crises que então se instalam. Duas tendências metodológicas marcam e configuram a construção de novos objetos de conhecimento: o positivismo e o materialismo histórico-dialético.
O positivismo
O positivismo, fundado por A. Comte, está relacionado com o aparecimento da sociologia. O método proposto pelo positivismo para as ciências sociais deveria ser o das ciências da natureza:
1. Observação neutra, objetiva, desligada dos fenômenos, o que implica uma separação entre o sujeito produtor de conhecimento e seu objeto de estudo;
2. Valorização exclusiva do fato, tomado como aquilo que pode ser conhecido somente através da observação e da experiência.
3. Segmentação da realidade, ou seja, a compreensão da totalidade se dá pela compreensão das partes que a compõem.
A rigidez com que Comte concebe tanto o sistema social quanto o da natureza impede a compreensão da realidade como processo. Um exemplo disso é a sua dificuldade em aceitar a teoria da evolução de Darwin, uma vez que esta impede classificações fixas dos seres vivos.
O materialismo-dialético
O materialismo-dialético concebido por K. Marx constitui outra tendência metodológica que configura uma forma de conceber a realidade social. Os seus fundamentos são:
1. A base da sociedade e do próprio homem é o trabalho. As idéias devem ser analisadas a partir da compreensão do modo de produção (economia) que caracteriza um momento histórico de uma sociedade, o que não implica que as idéias estejam sempre em consonância com a ordem vigente.
2. O homem se faz historicamente, em condições determinadas, passa a ser determinado e determinante da/pela natureza e por outros homens, à medida que transforma a natureza para satisfazer suas necessidades básicas e, nesse processo, cria novas necessidades que se transformam também.
3. O conhecimento científico é uma ferramenta de compreensão e de transformação da sociedade humana, o que implica a ausência de neutralidade da ciência, uma vez que se estará analisando sempre uma formação histórica de um determinado ponto de vista: a classe explorada.
4. O conhecimento a-histórico se apresenta como aparência, uma vez que não revela suas condições históricas de produção. Uma análise histórica e dialética, portanto, seria aquela que alcançaria a essência dos fenômenos, revelando-os como inter-relacionados com outros fenômenos com os quais e a partir dos quais constituem totalidades dinâmicas.
O que é metodologia científica
Resenha elaborada por: Rita C. Freire
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
Considerações para os primeiros fundamentos estabelecidos
para o conhecimento científico
A ciência moderna vai se constituindo ao longo da modernidade e, de certa forma, até hoje, como um campo seguro, provedor de certezas e de formas específicas de se estabelecer no mundo, provendo sentidos para a existência. Sua natureza é essencialmente histórica, tendo na volorização do eu autônomo e na liberdade individual um correlato da valorização burguesa do indivíduo, invenção da modernidade e do modo de produção capitalista.
A observação e a experimentação, como procedimentos de pesquisa, não são desprovidas desses recortes que, se, de um lado, revolucionam a forma de produzir conhecimento, de outro trazem as marcas de um novo tempo que vai tentar fazer da ciência sua aliada na construção de uma nova e supostamente definitiva ordem social.
As ciências humanas surgem no contexto de briga entre o que se pretende como objetividade, nos moldas das ciências chamadas exatas, e o que se denomina conhecimento histórico, o qual, de várias maneiras vai se configurando como objeto próprio de seu estudo
O ILUMINISMO E A QUESTÃO DO CONHECIMENTO
O século XVIII apresenta-se como o século da claridade, da iluminação, que se coloca no plano da experiência humana, aprofundando a crença na razão humana como possibilitadora do conhecimento e de todas as formas de relação humana na terra. Razão equivale à luz.
A razão deve se posicionar como critério a partir do qual o homem deve construir seu destino: o eu se afirma como ponto de partida racional da batalha contra as trevas (ignorância), se posicionando como evidência autofundante de certezas e garantindo, assim, a produção do conhecimento.
O Iluminismo vai além dos racionalismos e empirismos do século XVII no sentido de prescindir cada vez mais de uma mediação divina e, assim, apontar não só as possibilidades da razão como seus limites.
O empirismo radical de D. Hume e suas conseqüências no campo da
Fundamentação do conhecimento científico
Para Hume, o fundamento do conhecimento não se encontra em alguma mediação divina, mas no próprio homem. Defende o critério da experiência sensível como condição de garantia de, pelo menos, alguma correção do conhecimento produzido pela ciência.
Para ele, nada se pode afirmar da realidade em si mesma, em termos de permanência absoluta de um fenômeno. O ceticismo de Hume busca fundamentar o conhecimento produzido pela ciência no campo das condições psicológicas do sujeito humano. É na idéia de hábito ou costume que busca explicar o modo de funcionamento da noção de causalidade, central na ciência humana. O seu trabalho é, pois, fundamentar, no campo psicológico, os mecanismos pelos quais: (1) chega-se à noção de causa e (2) espera-se que, no futuro, o passado se repita. O hábito e a crença aparecem como tais mecanismos.
Tudo o que se pode fazer é assumir o caráter bastante humano deste tipo de conhecimento, esperando ou contando com a repetição de eventos no futuro, com um grau um pouco maior de certeza dado pelos cálculos – cujos resultados podem se modificar – de probabilidades.
As possibilidades e os limites da razão. I.Kant
Kant pretende superar a dicotomia racionalismo-empirismo, ou seja, vai buscar resolver o processo de produção de conhecimento, considerando a ciência de sua época. A questão do conhecimento é a razão humana, liberta de tudo o que é exterior a si mesma. Kant considera que a ciência produz um conhecimento universal e correto. Sendo universal, ultrapassa o plano da pura experiência sensível e contingente. É a razão humana, nas suas possibilidades e limites, que garante a produção de verdade universais pela ciência.
Para Kant, nossa razão filtra a realidade no sentido de que só temos acesso ao que ela permite. O tempo e o espaço, assim como a substância e causalidade, são categorias a priori a partir das quais situamos nossa própria experiência. As primeiras são categorias da sensibilidade humana; as demais do entendimento. Ambas constituem as formas a priori do conhecimento, ou seja, as fôrmas (ou os filtros) que possuímos na razão e que possibilitam, mas também limitam (nosso conhecimento se atém aos fenômenos) a ciência.
A organização das impressões captadas pelos sentidos é dada pelas categorias a priori, o que garante a universalidade do conhecimento produzido. Por ser universal, tal estrutura é tida por Kant como transcendental, isto é, independente da experiência particular de cada ser humano, sendo própria de todos os homens. Transcendental, para Kant, é aquilo que demarca a experiência racional humana.
A questão do conhecimento, se apresenta como uma formulação radicalmente moderna, no sentido histórico, uma vez que atrelada à idéia de racionalidade como luz, como fundamento do conhecer. A idéia comanda a produção de conhecimento, filtra as informações dadas pelos sentidos e, assim, tem primazia sobre a própria impressão.
A razão é histórica: G.H. Hegel
A Revolução Francesa, com seus ideais de igualdade, liberdade e fraternidade, com sua ênfase na razão humana e no desprezo pela ignorância, constituiu, para Hegel, o contexto histórico a partir do qual sua filosofia foi sendo elaborada. Par Hegel, todo esse movimento se deu no espaço da luta, da guerra, da contradição, do embate entre opostos. Hegel apresenta uma filosofia da história, buscando compreender racionalmente o movimento dos acontecimentos humanos.
O contraditório também se aplica aos fenômenos da natureza e busca estabelecer uma relação entre a estrutura da razão e o modo de funcionamento da natureza. A razão humana se desdobra sobre si mesma para se tomar com puro movimento, como articulação de uma imanência: o mundo humano ou não, é, em si mesmo, movimento e movimento a partir da contradição.
Não é possível pensar um artista sem sua obra, sem um suporte material no qual ele se realize como tal. Do mesmo modo, o pedaço de madeira, por exemplo, tal qual está sendo no primeiro momento, impõe resistência ao artista. Não se pode fazer qualquer coisa com a madeira, e, mais importante, ela impõe uma luta pela qual resiste e se entrega, morre e renasce, e vem a ser outra coisa a partir de sua interpenetração com o seu contrário, isto é, o artista. Tensão, luta de contrários: não é necessário se submeter à matéria para dominá-la?
A história humana, pode e deve ser analisada do ponto de vista do conflito entre idéias que foram sendo forjadas e transformadas em vista das contradições postas por elas mesmas. Na medida em que concebe o movimento da história e da natureza com o movimento da idéia, Hegel se apresenta como idealista.
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
Considerações para os primeiros fundamentos estabelecidos
para o conhecimento científico
A ciência moderna vai se constituindo ao longo da modernidade e, de certa forma, até hoje, como um campo seguro, provedor de certezas e de formas específicas de se estabelecer no mundo, provendo sentidos para a existência. Sua natureza é essencialmente histórica, tendo na volorização do eu autônomo e na liberdade individual um correlato da valorização burguesa do indivíduo, invenção da modernidade e do modo de produção capitalista.
A observação e a experimentação, como procedimentos de pesquisa, não são desprovidas desses recortes que, se, de um lado, revolucionam a forma de produzir conhecimento, de outro trazem as marcas de um novo tempo que vai tentar fazer da ciência sua aliada na construção de uma nova e supostamente definitiva ordem social.
As ciências humanas surgem no contexto de briga entre o que se pretende como objetividade, nos moldas das ciências chamadas exatas, e o que se denomina conhecimento histórico, o qual, de várias maneiras vai se configurando como objeto próprio de seu estudo
O ILUMINISMO E A QUESTÃO DO CONHECIMENTO
O século XVIII apresenta-se como o século da claridade, da iluminação, que se coloca no plano da experiência humana, aprofundando a crença na razão humana como possibilitadora do conhecimento e de todas as formas de relação humana na terra. Razão equivale à luz.
A razão deve se posicionar como critério a partir do qual o homem deve construir seu destino: o eu se afirma como ponto de partida racional da batalha contra as trevas (ignorância), se posicionando como evidência autofundante de certezas e garantindo, assim, a produção do conhecimento.
O Iluminismo vai além dos racionalismos e empirismos do século XVII no sentido de prescindir cada vez mais de uma mediação divina e, assim, apontar não só as possibilidades da razão como seus limites.
O empirismo radical de D. Hume e suas conseqüências no campo da
Fundamentação do conhecimento científico
Para Hume, o fundamento do conhecimento não se encontra em alguma mediação divina, mas no próprio homem. Defende o critério da experiência sensível como condição de garantia de, pelo menos, alguma correção do conhecimento produzido pela ciência.
Para ele, nada se pode afirmar da realidade em si mesma, em termos de permanência absoluta de um fenômeno. O ceticismo de Hume busca fundamentar o conhecimento produzido pela ciência no campo das condições psicológicas do sujeito humano. É na idéia de hábito ou costume que busca explicar o modo de funcionamento da noção de causalidade, central na ciência humana. O seu trabalho é, pois, fundamentar, no campo psicológico, os mecanismos pelos quais: (1) chega-se à noção de causa e (2) espera-se que, no futuro, o passado se repita. O hábito e a crença aparecem como tais mecanismos.
Tudo o que se pode fazer é assumir o caráter bastante humano deste tipo de conhecimento, esperando ou contando com a repetição de eventos no futuro, com um grau um pouco maior de certeza dado pelos cálculos – cujos resultados podem se modificar – de probabilidades.
As possibilidades e os limites da razão. I.Kant
Kant pretende superar a dicotomia racionalismo-empirismo, ou seja, vai buscar resolver o processo de produção de conhecimento, considerando a ciência de sua época. A questão do conhecimento é a razão humana, liberta de tudo o que é exterior a si mesma. Kant considera que a ciência produz um conhecimento universal e correto. Sendo universal, ultrapassa o plano da pura experiência sensível e contingente. É a razão humana, nas suas possibilidades e limites, que garante a produção de verdade universais pela ciência.
Para Kant, nossa razão filtra a realidade no sentido de que só temos acesso ao que ela permite. O tempo e o espaço, assim como a substância e causalidade, são categorias a priori a partir das quais situamos nossa própria experiência. As primeiras são categorias da sensibilidade humana; as demais do entendimento. Ambas constituem as formas a priori do conhecimento, ou seja, as fôrmas (ou os filtros) que possuímos na razão e que possibilitam, mas também limitam (nosso conhecimento se atém aos fenômenos) a ciência.
A organização das impressões captadas pelos sentidos é dada pelas categorias a priori, o que garante a universalidade do conhecimento produzido. Por ser universal, tal estrutura é tida por Kant como transcendental, isto é, independente da experiência particular de cada ser humano, sendo própria de todos os homens. Transcendental, para Kant, é aquilo que demarca a experiência racional humana.
A questão do conhecimento, se apresenta como uma formulação radicalmente moderna, no sentido histórico, uma vez que atrelada à idéia de racionalidade como luz, como fundamento do conhecer. A idéia comanda a produção de conhecimento, filtra as informações dadas pelos sentidos e, assim, tem primazia sobre a própria impressão.
A razão é histórica: G.H. Hegel
A Revolução Francesa, com seus ideais de igualdade, liberdade e fraternidade, com sua ênfase na razão humana e no desprezo pela ignorância, constituiu, para Hegel, o contexto histórico a partir do qual sua filosofia foi sendo elaborada. Par Hegel, todo esse movimento se deu no espaço da luta, da guerra, da contradição, do embate entre opostos. Hegel apresenta uma filosofia da história, buscando compreender racionalmente o movimento dos acontecimentos humanos.
O contraditório também se aplica aos fenômenos da natureza e busca estabelecer uma relação entre a estrutura da razão e o modo de funcionamento da natureza. A razão humana se desdobra sobre si mesma para se tomar com puro movimento, como articulação de uma imanência: o mundo humano ou não, é, em si mesmo, movimento e movimento a partir da contradição.
Não é possível pensar um artista sem sua obra, sem um suporte material no qual ele se realize como tal. Do mesmo modo, o pedaço de madeira, por exemplo, tal qual está sendo no primeiro momento, impõe resistência ao artista. Não se pode fazer qualquer coisa com a madeira, e, mais importante, ela impõe uma luta pela qual resiste e se entrega, morre e renasce, e vem a ser outra coisa a partir de sua interpenetração com o seu contrário, isto é, o artista. Tensão, luta de contrários: não é necessário se submeter à matéria para dominá-la?
A história humana, pode e deve ser analisada do ponto de vista do conflito entre idéias que foram sendo forjadas e transformadas em vista das contradições postas por elas mesmas. Na medida em que concebe o movimento da história e da natureza com o movimento da idéia, Hegel se apresenta como idealista.
O QUE É METODOLOGIA CIENTÍFICA?
Resenha elaborada por: Rita C. Freire
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
UM ROTEIRO DE VIAGEM...
A ciência moderna centra a discussão em dois aspectos do conhecimento. O primeiro é a do papel do sujeito na produção do conhecimento. O segundo diz respeito à forma como a natureza e/ou a sociedade é pressuposta pelas diversas tendências.
Como acreditamos no caráter histórico da ciência, decidimos percorrer as principais tendências metodológicas, apontando algumas possibilidades e impasses que fazem ainda hoje parte do conhecimento científico. Entender e discutir as diferentes bases da ciência é condição para compreender suas reais possibilidades e limites.
O SURGIMENTO HISTÓRICO DA MODERNIDADE E A CONSTITUIÇÃO DOS PRIMEIROS FUNDAMENTOS PARA O CONHECIMENTO CIENTÍFICO
O Renascimento, antes do século XVII, já propunha a valorização da capacidade humana de conhecer e transformar a realidade. O homem se coloca como capaz de, por si só, descobrir o modo de funcionamento da natureza, submetendo-se à ela como primeiro passo no projeto moderno de produção do conhecimento.
O segundo passo, refere-se ao domínio e controle da natureza em benefício do próprio homem. O homem se coloca como dono do mundo e recoloca a busca da verdade no plano do fundamento seguro, dado pelo capacidade humana de conhecer-se a si mesma, de forma autônoma.
A constituição da ciência moderna, que ocorre no âmbito da aventura das descobertas marítimas, reflete e atiça a curiosidade pelos fatos. Navegar é preciso. É preciso navegar, mas com método, com ordem e medida, sabendo quais passos dar para atingir um determinado fim. Não se deve deixar levar por nenhuma influência de cunho pessoal, passional ou cultural.
O problema central da ciência moderna é a questão do método. Sem ordem não há conhecimento possível. O problema dos modernos vai ser o de do ponto de vista epistemológico, fornecer as bases seguras do conhecimento, desprovendo-o de erros, erros estes advindos da falta de método, da ordem e medida necessários ao correto proceder da razão.
A luta é, pois, contra o erro, (...) contra a imaginação que destrói a diferença entre o real e o onírico, contra a linguagem que carrega de preconceitos o real, e, portanto, não é capaz de descrever a realidade tal como ela é.
Mais: chegar à verdade significa captar uma ordem eterna e imutável que subjaz aos fenômenos. Tal ordem implica a existência de relações necessárias entre determinados eventos da natureza. A busca dos fundamentos seguros do conhecimento está comprometida com a suposição de que existe uma unidade ou permanência na natureza, com a valorização da repetição dos fenômenos. Isto decorre de que um dos principais objetivos da ciência moderna é justamente o da previsão da ocorrência futura dos fenômenos, previsão esta subjacente à elaboração das leis científicas.
De todo modo, a questão que vai permear a análise do processo de constituição do conhecimento científico é: será possível um conhecimento tão destituído de humanidade?
O racionalismo de Descartes
De maneira geral, no século XVII duas respostas à questão dos fundamentos do conhecimento científico são elaboradas: o racionalismo e o empirismo. Descartes parte do princípio de que ter conhecimento é ter idéias e de que as idéias são diferentes das coisas tomadas em si mesmas. Ele faz o seguinte raciocínio: devo duvidar de tudo, posto que a linguagem, a imaginação, meus órgãos dos sentidos e assim por diante me iludem. Mas, ao recorrer à dúvida como método (duvido de tudo sistematicamente), chego, de forma dedutiva, a uma certeza: não posso duvidar do fato de que estou pensando. Penso, logo existo. Fecha-se, assim, o circuito da dúvida metódica: existe uma correspondência entre a matéria e a idéia.
Para Descartes, também de forma dedutiva, Deus é a medida da garantia do conhecimento, da capacidade de pensar clara e distintamente. Deus nos capacita a ter idéias corretas, que são, inclusive, inatas, desprovidas de erros, desde que metodicamente produzidas, isto é, elaboradas segundo critérios claros e distintos.
Assim, o conhecimento é obra da razão, é ela que garante a correção das descobertas e a relação real entre idéias e extensão (matéria). Nessa perspectiva, o sujeito produtor de conhecimento se apresenta como um eu que valoriza a si mesmo, por dedução. Nesse processo, esse eu se requer purificado das influências históricas, pessoais, culturais, enfim, humanas, de forma a alcançar a verdade imutável das coisas. O processo da dúvida metódica, em Descartes, resultou numa garantia para a produção de verdades no campo da ciência. Esta garantia é de natureza metafísica, uma vez que a certeza do conhecimento verdadeiro passa pelo pressuposto da ação divina no intelecto humano.
O empirismo
Já o empirismo, formulado inicialmente por Bacon, parte do pressuposto de que “conhecer” também é tomado como “ter idéias”, mas a via privilegiada da sua produção não é a razão: trata-se da experiência sensorial, isto é, a de que se tem como os órgãos dos sentidos. É pela indução, isto é, pela observação dos muitos eventos se repetindo da mesma maneira, que se pode, finalmente, elaborar leis que descrevem o funcionamento da natureza.
Os empiristas fundamentam cada vez mais nas condições psicológicas do sujeito produtor de conhecimento a possibilidade de elaboração de leis gerais. Ora, se as facetas pessoais, culturais, ou mesmo biológicas do indivíduo estão no cerne do processo de produção do conhecimento, como alcançar a verdade das coisas, objetivo maior da ciência para os racionalistas? Por este motivo, boa parte dos empiristas separa sujeito e objeto.
A física newtoniana
A figura de I. Newton, surgida entre os séculos XVII e XVIII, vai permitir que o projeto de ciência moderna se estabeleça definitivamente. Ele combinou de maneira apropriada as duas tendências até então antagônicas: empirismo e racionalismo. Afirmava que tanto os experimentos sem interpretação sistemática (empirismo) como a dedução sem a evidência experimental (racionalismo) não levam a uma teoria confiável. Tudo que não é deduzido dos fenômenos constitui mera hipótese, e esta não tinha lugar porque as proposições particulares são inferidas dos fenômenos e depois tornadas gerais por indução.
Para Newton era suficiente explicar os fenômenos, sem necessariamente chegar às suas causas. A natureza era, assim, entendida como uma máquina que funciona perfeitamente, não tendo ele dificuldades em aceitar e postular a existência de um Deus que cria um mundo de acordo com a mecânica que os cientistas vão desvendando.
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
UM ROTEIRO DE VIAGEM...
A ciência moderna centra a discussão em dois aspectos do conhecimento. O primeiro é a do papel do sujeito na produção do conhecimento. O segundo diz respeito à forma como a natureza e/ou a sociedade é pressuposta pelas diversas tendências.
Como acreditamos no caráter histórico da ciência, decidimos percorrer as principais tendências metodológicas, apontando algumas possibilidades e impasses que fazem ainda hoje parte do conhecimento científico. Entender e discutir as diferentes bases da ciência é condição para compreender suas reais possibilidades e limites.
O SURGIMENTO HISTÓRICO DA MODERNIDADE E A CONSTITUIÇÃO DOS PRIMEIROS FUNDAMENTOS PARA O CONHECIMENTO CIENTÍFICO
O Renascimento, antes do século XVII, já propunha a valorização da capacidade humana de conhecer e transformar a realidade. O homem se coloca como capaz de, por si só, descobrir o modo de funcionamento da natureza, submetendo-se à ela como primeiro passo no projeto moderno de produção do conhecimento.
O segundo passo, refere-se ao domínio e controle da natureza em benefício do próprio homem. O homem se coloca como dono do mundo e recoloca a busca da verdade no plano do fundamento seguro, dado pelo capacidade humana de conhecer-se a si mesma, de forma autônoma.
A constituição da ciência moderna, que ocorre no âmbito da aventura das descobertas marítimas, reflete e atiça a curiosidade pelos fatos. Navegar é preciso. É preciso navegar, mas com método, com ordem e medida, sabendo quais passos dar para atingir um determinado fim. Não se deve deixar levar por nenhuma influência de cunho pessoal, passional ou cultural.
O problema central da ciência moderna é a questão do método. Sem ordem não há conhecimento possível. O problema dos modernos vai ser o de do ponto de vista epistemológico, fornecer as bases seguras do conhecimento, desprovendo-o de erros, erros estes advindos da falta de método, da ordem e medida necessários ao correto proceder da razão.
A luta é, pois, contra o erro, (...) contra a imaginação que destrói a diferença entre o real e o onírico, contra a linguagem que carrega de preconceitos o real, e, portanto, não é capaz de descrever a realidade tal como ela é.
Mais: chegar à verdade significa captar uma ordem eterna e imutável que subjaz aos fenômenos. Tal ordem implica a existência de relações necessárias entre determinados eventos da natureza. A busca dos fundamentos seguros do conhecimento está comprometida com a suposição de que existe uma unidade ou permanência na natureza, com a valorização da repetição dos fenômenos. Isto decorre de que um dos principais objetivos da ciência moderna é justamente o da previsão da ocorrência futura dos fenômenos, previsão esta subjacente à elaboração das leis científicas.
De todo modo, a questão que vai permear a análise do processo de constituição do conhecimento científico é: será possível um conhecimento tão destituído de humanidade?
O racionalismo de Descartes
De maneira geral, no século XVII duas respostas à questão dos fundamentos do conhecimento científico são elaboradas: o racionalismo e o empirismo. Descartes parte do princípio de que ter conhecimento é ter idéias e de que as idéias são diferentes das coisas tomadas em si mesmas. Ele faz o seguinte raciocínio: devo duvidar de tudo, posto que a linguagem, a imaginação, meus órgãos dos sentidos e assim por diante me iludem. Mas, ao recorrer à dúvida como método (duvido de tudo sistematicamente), chego, de forma dedutiva, a uma certeza: não posso duvidar do fato de que estou pensando. Penso, logo existo. Fecha-se, assim, o circuito da dúvida metódica: existe uma correspondência entre a matéria e a idéia.
Para Descartes, também de forma dedutiva, Deus é a medida da garantia do conhecimento, da capacidade de pensar clara e distintamente. Deus nos capacita a ter idéias corretas, que são, inclusive, inatas, desprovidas de erros, desde que metodicamente produzidas, isto é, elaboradas segundo critérios claros e distintos.
Assim, o conhecimento é obra da razão, é ela que garante a correção das descobertas e a relação real entre idéias e extensão (matéria). Nessa perspectiva, o sujeito produtor de conhecimento se apresenta como um eu que valoriza a si mesmo, por dedução. Nesse processo, esse eu se requer purificado das influências históricas, pessoais, culturais, enfim, humanas, de forma a alcançar a verdade imutável das coisas. O processo da dúvida metódica, em Descartes, resultou numa garantia para a produção de verdades no campo da ciência. Esta garantia é de natureza metafísica, uma vez que a certeza do conhecimento verdadeiro passa pelo pressuposto da ação divina no intelecto humano.
O empirismo
Já o empirismo, formulado inicialmente por Bacon, parte do pressuposto de que “conhecer” também é tomado como “ter idéias”, mas a via privilegiada da sua produção não é a razão: trata-se da experiência sensorial, isto é, a de que se tem como os órgãos dos sentidos. É pela indução, isto é, pela observação dos muitos eventos se repetindo da mesma maneira, que se pode, finalmente, elaborar leis que descrevem o funcionamento da natureza.
Os empiristas fundamentam cada vez mais nas condições psicológicas do sujeito produtor de conhecimento a possibilidade de elaboração de leis gerais. Ora, se as facetas pessoais, culturais, ou mesmo biológicas do indivíduo estão no cerne do processo de produção do conhecimento, como alcançar a verdade das coisas, objetivo maior da ciência para os racionalistas? Por este motivo, boa parte dos empiristas separa sujeito e objeto.
A física newtoniana
A figura de I. Newton, surgida entre os séculos XVII e XVIII, vai permitir que o projeto de ciência moderna se estabeleça definitivamente. Ele combinou de maneira apropriada as duas tendências até então antagônicas: empirismo e racionalismo. Afirmava que tanto os experimentos sem interpretação sistemática (empirismo) como a dedução sem a evidência experimental (racionalismo) não levam a uma teoria confiável. Tudo que não é deduzido dos fenômenos constitui mera hipótese, e esta não tinha lugar porque as proposições particulares são inferidas dos fenômenos e depois tornadas gerais por indução.
Para Newton era suficiente explicar os fenômenos, sem necessariamente chegar às suas causas. A natureza era, assim, entendida como uma máquina que funciona perfeitamente, não tendo ele dificuldades em aceitar e postular a existência de um Deus que cria um mundo de acordo com a mecânica que os cientistas vão desvendando.
O QUE É METODOLOGIA CIENTÍFICA?
Resenha elaborada por: Rita C. Freire
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
A aventura histórica da construção
dos fundamentos do conhecimento científico
A palavra ciência surge do latim (scire) e significa conhecimento ou sabedoria. Em geral, fala-se que uma pessoa tem um certo conhecimento (ou está ciente) quando detém alguma informação ou saber com relação a algum aspecto da realidade.
O conhecimento, assim entendido, pode ser do tipo senso comum, artístico, filosófico, teológico ou científico.
O conhecimento do tipo senso comum, por exemplo, produz informações sobre a realidade e normalmente aos seus objetivos mais imediatos. Já o conhecimento chamado de científico não é imediatista, não se contenta com informações superficiais sobre um aspecto da realidade. A ciência pretende ser crítica, isto é, busca estar sempre julgando a correção de suas próprias produções.
O conhecimento científico se caracteriza também pela busca em compreender ou explicar a realidade apresentando os fatores que determinam a existência de um evento. Uma vez obtido este conhecimento, deve-se garantir sua generalidade, isto é, sua validade em outras situações. A divulgação dos resultados também é uma marca fundamental da ciência moderna. Trata-se do que se chama de exercício de intersubjetividade, isto é, da garantia de que o conhecimento está sendo colocado em discussão e que qualquer outro cientista pode ter acesso a ele. Neste sentido, a ciência moderna não se pretende dogmática. Ao relatar seus resultados, o cientista deve também contar como chegou a eles, qual caminho seguiu para alcançá-los. Trata-se, pois, da apresentação do que se chama de método científico.
Quando se fala em método, busca-se explicitar quais são os motivos pelos quais o pesquisador escolheu determinados caminhos e não outros. A questão do método é teórica, uma vez que se refere aos pressupostos que fundamentam o modo de pesquisar e são anteriores à coleta de informações na realidade.
Pressupostos diferentes determinam procedimentos diferentes para alcançar o conhecimento. São suposições prévias (antes da pesquisa acontecer) basicamente sobre:
1. o que é o homem, suas possibilidades de vir a conhecer a realidade e, se existem, quais são elas e como poderão se dar;
2. as maneiras pelas quais a natureza e a sociedade são concebidas e;
3. o processo de produção de conhecimento, isto é, considerando determinada concepção de homem e de natureza e/ou sociedade, resta supor como se originam as idéias ou o saber da ciência, como deverá ser possível produzi-lo.
Apesar de a ciência possuir critérios que, de uma maneira geral, são aceitos por todos os cientistas como definidores de sua maneira de trabalhar (como a intersubjetividade, por exemplo), nem todos os cientistas partem, para a realização do seu trabalho, de uma mesma concepção do que seja o conhecimento científico. Isto ocorre porque os pressupostos a respeito do que seja o homem, a natureza e/ou a sociedade e o próprio modo de produzir conhecimento não precisam ser os mesmos para todos os cientistas.
Convém então se falar em visões de ciência ou em tendências metodológicas.
O CONHECIMENTO É UMA RELAÇÃO
A epistemologia é o ramo da filosofia que vem discutindo e formulando diferentes fundamentos para a ciência. Ela utiliza os termos sujeito e objeto para fazer referência aos dois pólos envolvidos na produção do conhecimento: o homem (que se propõe a conhecer algo) e o aspecto da realidade a ser conhecido. A discussão do papel do sujeito se refere à forma como o cientista (o sujeito) deve se comportar para produzir conhecimento, revelando assim pressupostos subjacentes a toda pesquisa.
Surgiram então três perspectivas a este respeito. A primeira – chamada de empirismo – supõe a primazia do objeto em relação ao sujeito. A segunda – chamada de racionalismo – aponta a primazia do sujeito ou de sua atividade em relação ao objeto. Pode-se afirmar que o empirismo e o racionalismo possuem um elemento em comum: ambos pressupõem uma separação entre sujeito e objeto. Claro que o sujeito (o pesquisador), nos dois casos, participa do processo de produção de conhecimento. No entanto, tal participação é feita supondo-se que o objeto ou realidade que se quer estudar existe por si só, fora e separada do pesquisador.
A terceira posição sobre o papel do pesquisador na produção do conhecimento – o interacionismo – afirma que o conhecimento é produzido no quadro da interação entre sujeito e objeto. Nesta perspectiva, os produtos da ciência seriam os resultados das inter-relações que mantemos com a realidade e não estariam destituídos de pressupostos dados sobretudo pela cultura ou ideologia predominante num determinado período histórico. As verdades da ciência seriam, pois, fundamentalmente históricas e, portanto, nunca neutras. A idéia de neutralidade científica, não se enquadra na perspectiva interacionista, uma vez que pressupõe um cientista purificado das condições que determinam a sua própria existência como homem e pesquisador.
CARVALHO, Alex et al. Aprendendo Metodologia Científica. São Paulo: O Nome da Rosa, 2000, pp. 11-69.
A aventura histórica da construção
dos fundamentos do conhecimento científico
A palavra ciência surge do latim (scire) e significa conhecimento ou sabedoria. Em geral, fala-se que uma pessoa tem um certo conhecimento (ou está ciente) quando detém alguma informação ou saber com relação a algum aspecto da realidade.
O conhecimento, assim entendido, pode ser do tipo senso comum, artístico, filosófico, teológico ou científico.
O conhecimento do tipo senso comum, por exemplo, produz informações sobre a realidade e normalmente aos seus objetivos mais imediatos. Já o conhecimento chamado de científico não é imediatista, não se contenta com informações superficiais sobre um aspecto da realidade. A ciência pretende ser crítica, isto é, busca estar sempre julgando a correção de suas próprias produções.
O conhecimento científico se caracteriza também pela busca em compreender ou explicar a realidade apresentando os fatores que determinam a existência de um evento. Uma vez obtido este conhecimento, deve-se garantir sua generalidade, isto é, sua validade em outras situações. A divulgação dos resultados também é uma marca fundamental da ciência moderna. Trata-se do que se chama de exercício de intersubjetividade, isto é, da garantia de que o conhecimento está sendo colocado em discussão e que qualquer outro cientista pode ter acesso a ele. Neste sentido, a ciência moderna não se pretende dogmática. Ao relatar seus resultados, o cientista deve também contar como chegou a eles, qual caminho seguiu para alcançá-los. Trata-se, pois, da apresentação do que se chama de método científico.
Quando se fala em método, busca-se explicitar quais são os motivos pelos quais o pesquisador escolheu determinados caminhos e não outros. A questão do método é teórica, uma vez que se refere aos pressupostos que fundamentam o modo de pesquisar e são anteriores à coleta de informações na realidade.
Pressupostos diferentes determinam procedimentos diferentes para alcançar o conhecimento. São suposições prévias (antes da pesquisa acontecer) basicamente sobre:
1. o que é o homem, suas possibilidades de vir a conhecer a realidade e, se existem, quais são elas e como poderão se dar;
2. as maneiras pelas quais a natureza e a sociedade são concebidas e;
3. o processo de produção de conhecimento, isto é, considerando determinada concepção de homem e de natureza e/ou sociedade, resta supor como se originam as idéias ou o saber da ciência, como deverá ser possível produzi-lo.
Apesar de a ciência possuir critérios que, de uma maneira geral, são aceitos por todos os cientistas como definidores de sua maneira de trabalhar (como a intersubjetividade, por exemplo), nem todos os cientistas partem, para a realização do seu trabalho, de uma mesma concepção do que seja o conhecimento científico. Isto ocorre porque os pressupostos a respeito do que seja o homem, a natureza e/ou a sociedade e o próprio modo de produzir conhecimento não precisam ser os mesmos para todos os cientistas.
Convém então se falar em visões de ciência ou em tendências metodológicas.
O CONHECIMENTO É UMA RELAÇÃO
A epistemologia é o ramo da filosofia que vem discutindo e formulando diferentes fundamentos para a ciência. Ela utiliza os termos sujeito e objeto para fazer referência aos dois pólos envolvidos na produção do conhecimento: o homem (que se propõe a conhecer algo) e o aspecto da realidade a ser conhecido. A discussão do papel do sujeito se refere à forma como o cientista (o sujeito) deve se comportar para produzir conhecimento, revelando assim pressupostos subjacentes a toda pesquisa.
Surgiram então três perspectivas a este respeito. A primeira – chamada de empirismo – supõe a primazia do objeto em relação ao sujeito. A segunda – chamada de racionalismo – aponta a primazia do sujeito ou de sua atividade em relação ao objeto. Pode-se afirmar que o empirismo e o racionalismo possuem um elemento em comum: ambos pressupõem uma separação entre sujeito e objeto. Claro que o sujeito (o pesquisador), nos dois casos, participa do processo de produção de conhecimento. No entanto, tal participação é feita supondo-se que o objeto ou realidade que se quer estudar existe por si só, fora e separada do pesquisador.
A terceira posição sobre o papel do pesquisador na produção do conhecimento – o interacionismo – afirma que o conhecimento é produzido no quadro da interação entre sujeito e objeto. Nesta perspectiva, os produtos da ciência seriam os resultados das inter-relações que mantemos com a realidade e não estariam destituídos de pressupostos dados sobretudo pela cultura ou ideologia predominante num determinado período histórico. As verdades da ciência seriam, pois, fundamentalmente históricas e, portanto, nunca neutras. A idéia de neutralidade científica, não se enquadra na perspectiva interacionista, uma vez que pressupõe um cientista purificado das condições que determinam a sua própria existência como homem e pesquisador.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
O questionário na pesquisa científica
Resenha do artigo:
Chagas, Anivaldo Tadeu Roston. O questionário na pesquisa científica. Disponível em: http://www.vrnet.com.br/pauline/docs/legislacao/textos/O%20Question%C3%A1rio%20na%20pesquisa%20cient%C3%ADfica.pdf
Acesso: 12 nov. 2008
O artigo de Chagas tem como objetivo mostrar a opinião de vários autores sobre a elaboração de um questionário e os cuidados com a sua elaboração e com a sua aplicação, para que seja uma ferramenta útil para os pesquisadores e os ajude a atingir seus objetivos.
O autor pretende com este texto fornecer um roteiro analisado das etapas a serem seguidas para que o questionário seja o mais eficaz possível.
No início e dada ênfase aos erros cometidos por quem escolhe esta ferramenta para coleta de dados, os mais comuns são os amostrais que estão relacionados com a escolha e o tamanho da amostra, e os não-amostrais que ocorrem devido a vários fatores como, questões mal elaboradas, dúbias ou tendenciosas e medição com uso errado de escalas, o que pode gerar vários tipos de erros na avaliação dos resultados comprometendo assim toda a pesquisa.
O autor cita e explica ainda os fatores que podem gerar diferenças nos resultados obtidos através do questionário.
A construção de um bom questionário, segundo o mesmo, depende do conhecimento de técnicas, da experiência do pesquisador e principalmente de se ter um método com as etapas básicas para seguir.
O artigo, a meu ver, cumpri a sua função de ser um roteiro na elaboração de um questionário, pois o autor além de citar didaticamente passo a passo ele também explica e dá as vantagens e desvantagens de cada item considerado importantes, por ele e pelos autores citados.
Para um pesquisador, iniciante, que escolha usar como ferramenta em sua pesquisa a coleta de dados através de um questionário o artigo de Chagas será um excelente roteiro de como elaborá-lo e aplicá-lo com eficiência e eficácia para conseguir atingir os objetivos de sua pesquisa, sem gerar dúvidas quanto a seu resultado.
Mariusa F M Loução
Chagas, Anivaldo Tadeu Roston. O questionário na pesquisa científica. Disponível em: http://www.vrnet.com.br/pauline/docs/legislacao/textos/O%20Question%C3%A1rio%20na%20pesquisa%20cient%C3%ADfica.pdf
Acesso: 12 nov. 2008
O artigo de Chagas tem como objetivo mostrar a opinião de vários autores sobre a elaboração de um questionário e os cuidados com a sua elaboração e com a sua aplicação, para que seja uma ferramenta útil para os pesquisadores e os ajude a atingir seus objetivos.
O autor pretende com este texto fornecer um roteiro analisado das etapas a serem seguidas para que o questionário seja o mais eficaz possível.
No início e dada ênfase aos erros cometidos por quem escolhe esta ferramenta para coleta de dados, os mais comuns são os amostrais que estão relacionados com a escolha e o tamanho da amostra, e os não-amostrais que ocorrem devido a vários fatores como, questões mal elaboradas, dúbias ou tendenciosas e medição com uso errado de escalas, o que pode gerar vários tipos de erros na avaliação dos resultados comprometendo assim toda a pesquisa.
O autor cita e explica ainda os fatores que podem gerar diferenças nos resultados obtidos através do questionário.
A construção de um bom questionário, segundo o mesmo, depende do conhecimento de técnicas, da experiência do pesquisador e principalmente de se ter um método com as etapas básicas para seguir.
O artigo, a meu ver, cumpri a sua função de ser um roteiro na elaboração de um questionário, pois o autor além de citar didaticamente passo a passo ele também explica e dá as vantagens e desvantagens de cada item considerado importantes, por ele e pelos autores citados.
Para um pesquisador, iniciante, que escolha usar como ferramenta em sua pesquisa a coleta de dados através de um questionário o artigo de Chagas será um excelente roteiro de como elaborá-lo e aplicá-lo com eficiência e eficácia para conseguir atingir os objetivos de sua pesquisa, sem gerar dúvidas quanto a seu resultado.
Mariusa F M Loução
O questionário na pesquisa científica
Resenha do artigo:
Chagas, Anivaldo Tadeu Roston. O questionário na pesquisa científica. Disponível em: http://www.vrnet.com.br/pauline/docs/legislacao/textos/O%20Question%C3%A1rio%20na%20pesquisa%20cient%C3%ADfica.pdf
Acesso: 12 nov. 2008
O artigo de Chagas tem como objetivo mostrar a opinião de vários autores sobre a elaboração de um questionário e os cuidados com a sua elaboração e com a sua aplicação, para que seja uma ferramenta útil para os pesquisadores e os ajude a atingir seus objetivos.
O autor pretende com este texto fornecer um roteiro analisado das etapas a serem seguidas para que o questionário seja o mais eficaz possível.
No início e dada ênfase aos erros cometidos por quem escolhe esta ferramenta para coleta de dados, os mais comuns são os amostrais que estão relacionados com a escolha e o tamanho da amostra, e os não-amostrais que ocorrem devido a vários fatores como, questões mal elaboradas, dúbias ou tendenciosas e medição com uso errado de escalas, o que pode gerar vários tipos de erros na avaliação dos resultados comprometendo assim toda a pesquisa.
O autor cita e explica ainda os fatores que podem gerar diferenças nos resultados obtidos através do questionário.
A construção de um bom questionário, segundo o mesmo, depende do conhecimento de técnicas, da experiência do pesquisador e principalmente de se ter um método com as etapas básicas para seguir.
O artigo, a meu ver, cumpri a sua função de ser um roteiro na elaboração de um questionário, pois o autor além de citar didaticamente passo a passo ele também explica e dá as vantagens e desvantagens de cada item considerado importantes, por ele e pelos autores citados.
Para um pesquisador, iniciante, que escolha usar como ferramenta em sua pesquisa a coleta de dados através de um questionário o artigo de Chagas será um excelente roteiro de como elaborá-lo e aplicá-lo com eficiência e eficácia para conseguir atingir os objetivos de sua pesquisa, sem gerar dúvidas quanto a seu resultado.
Mariusa F M Loução
Chagas, Anivaldo Tadeu Roston. O questionário na pesquisa científica. Disponível em: http://www.vrnet.com.br/pauline/docs/legislacao/textos/O%20Question%C3%A1rio%20na%20pesquisa%20cient%C3%ADfica.pdf
Acesso: 12 nov. 2008
O artigo de Chagas tem como objetivo mostrar a opinião de vários autores sobre a elaboração de um questionário e os cuidados com a sua elaboração e com a sua aplicação, para que seja uma ferramenta útil para os pesquisadores e os ajude a atingir seus objetivos.
O autor pretende com este texto fornecer um roteiro analisado das etapas a serem seguidas para que o questionário seja o mais eficaz possível.
No início e dada ênfase aos erros cometidos por quem escolhe esta ferramenta para coleta de dados, os mais comuns são os amostrais que estão relacionados com a escolha e o tamanho da amostra, e os não-amostrais que ocorrem devido a vários fatores como, questões mal elaboradas, dúbias ou tendenciosas e medição com uso errado de escalas, o que pode gerar vários tipos de erros na avaliação dos resultados comprometendo assim toda a pesquisa.
O autor cita e explica ainda os fatores que podem gerar diferenças nos resultados obtidos através do questionário.
A construção de um bom questionário, segundo o mesmo, depende do conhecimento de técnicas, da experiência do pesquisador e principalmente de se ter um método com as etapas básicas para seguir.
O artigo, a meu ver, cumpri a sua função de ser um roteiro na elaboração de um questionário, pois o autor além de citar didaticamente passo a passo ele também explica e dá as vantagens e desvantagens de cada item considerado importantes, por ele e pelos autores citados.
Para um pesquisador, iniciante, que escolha usar como ferramenta em sua pesquisa a coleta de dados através de um questionário o artigo de Chagas será um excelente roteiro de como elaborá-lo e aplicá-lo com eficiência e eficácia para conseguir atingir os objetivos de sua pesquisa, sem gerar dúvidas quanto a seu resultado.
Mariusa F M Loução
Compra de trabalhos acadêmicos: resenha
Compra de trabalhos acadêmicos
O artigo do blog que trata da compra de trabalhos acadêmicos aponta alguns dos motivos principais que levam o alunado a utilizar os serviços de terceiros para compra de TCC, inclusive nos cursos de pós-graduação e até mesmo em mestrados e doutorados.
A insegurança, a falta de tempo, de interesse em pesquisa e pressão das empresas para executivos obterem um título, são fatores que desencadeiam a compra de trabalhos, segundo o artigo. Mas não apenas estes são motivos para o crescente comércio de trabalhos acadêmicos. Costumes antigos também contribuem para estimular a procura por quem possa desenvolver um trabalho que seja aceitável e resolva as obrigações com os cursos superiores.
Quando não existiam computadores os trabalhos tinham que ser datilografados, e nem todos sabiam ou tinham habilidades com as máquinas de escrever. Foi a partir desse momento que a contratação de datilógrafos para dar o formato final em trabalhos tornou-se uma prática comum, da mesma forma com o início da computação também surgiram os digitadores que realizavam os trabalhos. A existência desses profissionais sempre foi encarada de forma normal, porém com o passar do tempo o toque pessoal foi crescendo e os ajustes pessoais nos trabalhos ocorreram, resultando na possibilidade de cada vez mais a interferência no conteúdo fosse crescente, até chegar ao ponto de pedidos para a realização completa de trabalhos.
Evidentemente não são somente esses os grandes motivos para a compra de trabalhos, no caso dos TCCs, o espaço de tempo para desenvolvimento costuma ser pequeno, somando-se as normas de formatos, citações e referências como fatores complicadores, normas estas nem sempre de fácil entendimento e de execução clara, em alguns casos até especialistas na matéria ficam em dúvida sobre a correta aplicação das mesmas.
Um excessivo volume de trabalhos solicitados pelos professores concomitantemente com o TCC é também motivo para um trabalho encomendado. Imaginemos quantos textos devem ser lidos para que um trabalho possa ser desenvolvido a contento, não são todos os indivíduos que possuem tempo e facilidade para a leitura, o entendimento e a assimilação, para depois transformar em escrita e montar todo um trabalho.
Explicitar pesquisas, levantar hipóteses, construir o conteúdo de teses, exemplificar levantamentos bem como as conclusões, tudo isso de maneira clara e numa seqüência que faça sentido, é evidente que precisa ser treinado ou adquirir experiência ao longo de anos de exercícios contínuos.
A existência de normas relativamente rígidas para a realização de trabalhos acadêmicos, também dificulta muito a iniciativa e criatividade, chega até a restringir idéias inovadoras que podem trazer contribuições mais modernas e avançadas. As normas inflexíveis impedem a inovação e a fluência de conteúdos que possam se desenvolver de forma mais livre fornecendo um conhecimento de maior facilidade para entendimento, por conseqüência pode acontecer o desanimo em realizar um trabalho e apelar para a facilidade de comprar um.
Coibir e prevenir contra a compra de trabalhos, deve ser um constante pensamento das instituições, professores e orientadores, tanto com o intuito de evitar fraudes como também de estimulo para aqueles que realizam seus trabalhos a duras penas. Estes últimos muitas vezes perdem terreno para trabalhos comprados, que realizados por profissionais levam vantagem e são de melhor qualidade do que os realizados do próprio punho e sob as mais diversas condições de dificuldades. Neste caso os que se esforçam sofrem desistimulo, cogitando em comprar um trabalho na próxima oportunidade.
Acreditamos que deva existir uma flexibilização de normas com os trabalhos que não sejam de mestrado e doutorado, para que não tenham uma conotação de decisórios para encerramento do curso, são importantes mas não podem ter o caráter de “bicho papão” chegando ao ponto de atormentar e causar verdadeiro estresse, ocasionando em muitos casos até a pedidos de afastamento do trabalho para poder se dedicar inteiramente na realização de um TCC.
Neste momento em que o MEC colocou como exigência a realização de TCCs individuais para graduação e pós, poderia ser aproveitada a oportunidade para uma reflexão em relação às normas desses trabalhos, como por exemplo uma valorização no assunto e no conteúdo escrito, observando mais a iniciativa e criatividade individual, não tendo uma preocupação em seguir formatos pré-determinados e rígidos. Quem sabe estas atitudes não seriam altamente estimulantes para o surgimento de novas alternativas para um redimensionamento e redirecionamento de tendências mais voltadas a extrair o que os indivíduos possuem como conhecimento.
Permitindo que exista uma maior liberdade de expressão sem as restrições de muitas normas, seria dada ênfase para que todos possam expor suas opiniões mais livremente sem ter que seguir uma espécie de roteiro que pode causar um achatamento de idéias, tirando a espontaneidade e a direção inicial pretendida, resultando em uma padronização de trabalhos que pode até se tornar maçante.
É também possível coibir a prática da compra de trabalhos, com medidas relativamente simples para cercear a iniciativa desta atitude. Os professores ao longo dos cursos poderiam solicitar pequenas e rápidas redações individuais, de assunto decidido na hora durante as aulas. Ao confrontar as redações com um trabalho qualquer do mesmo aluno, fica fácil e evidente, verificar se foi o mesmo que escreveu, pois logo salta aos olhos a maneira peculiar de escrita e até o uso de expressões que cada um utiliza. Sem contar que essas redações podem ser uma excelente maneira de estimulo e aprofundamento para desenvolver a estruturação e realização de bons trabalhos.
Modestamente a intenção é de iniciar uma discussão sobre o tema, que possa indicar uma ou mais direções para extirpar de vez com o problema, não será a aplicação de penalidades ou atribuição de culpabilidade que irá resolver a questão. A principal meta é melhorar e elevar a qualidade dos trabalhos desenvolvidos nas instituições acadêmicas do país, com o intuito da melhoria de vida do brasileiro, pela apresentação de trabalhos científicos consistentes, elevando a credibilidade do Brasil frente ao exterior.
Clovis Pinheiro
O artigo do blog que trata da compra de trabalhos acadêmicos aponta alguns dos motivos principais que levam o alunado a utilizar os serviços de terceiros para compra de TCC, inclusive nos cursos de pós-graduação e até mesmo em mestrados e doutorados.
A insegurança, a falta de tempo, de interesse em pesquisa e pressão das empresas para executivos obterem um título, são fatores que desencadeiam a compra de trabalhos, segundo o artigo. Mas não apenas estes são motivos para o crescente comércio de trabalhos acadêmicos. Costumes antigos também contribuem para estimular a procura por quem possa desenvolver um trabalho que seja aceitável e resolva as obrigações com os cursos superiores.
Quando não existiam computadores os trabalhos tinham que ser datilografados, e nem todos sabiam ou tinham habilidades com as máquinas de escrever. Foi a partir desse momento que a contratação de datilógrafos para dar o formato final em trabalhos tornou-se uma prática comum, da mesma forma com o início da computação também surgiram os digitadores que realizavam os trabalhos. A existência desses profissionais sempre foi encarada de forma normal, porém com o passar do tempo o toque pessoal foi crescendo e os ajustes pessoais nos trabalhos ocorreram, resultando na possibilidade de cada vez mais a interferência no conteúdo fosse crescente, até chegar ao ponto de pedidos para a realização completa de trabalhos.
Evidentemente não são somente esses os grandes motivos para a compra de trabalhos, no caso dos TCCs, o espaço de tempo para desenvolvimento costuma ser pequeno, somando-se as normas de formatos, citações e referências como fatores complicadores, normas estas nem sempre de fácil entendimento e de execução clara, em alguns casos até especialistas na matéria ficam em dúvida sobre a correta aplicação das mesmas.
Um excessivo volume de trabalhos solicitados pelos professores concomitantemente com o TCC é também motivo para um trabalho encomendado. Imaginemos quantos textos devem ser lidos para que um trabalho possa ser desenvolvido a contento, não são todos os indivíduos que possuem tempo e facilidade para a leitura, o entendimento e a assimilação, para depois transformar em escrita e montar todo um trabalho.
Explicitar pesquisas, levantar hipóteses, construir o conteúdo de teses, exemplificar levantamentos bem como as conclusões, tudo isso de maneira clara e numa seqüência que faça sentido, é evidente que precisa ser treinado ou adquirir experiência ao longo de anos de exercícios contínuos.
A existência de normas relativamente rígidas para a realização de trabalhos acadêmicos, também dificulta muito a iniciativa e criatividade, chega até a restringir idéias inovadoras que podem trazer contribuições mais modernas e avançadas. As normas inflexíveis impedem a inovação e a fluência de conteúdos que possam se desenvolver de forma mais livre fornecendo um conhecimento de maior facilidade para entendimento, por conseqüência pode acontecer o desanimo em realizar um trabalho e apelar para a facilidade de comprar um.
Coibir e prevenir contra a compra de trabalhos, deve ser um constante pensamento das instituições, professores e orientadores, tanto com o intuito de evitar fraudes como também de estimulo para aqueles que realizam seus trabalhos a duras penas. Estes últimos muitas vezes perdem terreno para trabalhos comprados, que realizados por profissionais levam vantagem e são de melhor qualidade do que os realizados do próprio punho e sob as mais diversas condições de dificuldades. Neste caso os que se esforçam sofrem desistimulo, cogitando em comprar um trabalho na próxima oportunidade.
Acreditamos que deva existir uma flexibilização de normas com os trabalhos que não sejam de mestrado e doutorado, para que não tenham uma conotação de decisórios para encerramento do curso, são importantes mas não podem ter o caráter de “bicho papão” chegando ao ponto de atormentar e causar verdadeiro estresse, ocasionando em muitos casos até a pedidos de afastamento do trabalho para poder se dedicar inteiramente na realização de um TCC.
Neste momento em que o MEC colocou como exigência a realização de TCCs individuais para graduação e pós, poderia ser aproveitada a oportunidade para uma reflexão em relação às normas desses trabalhos, como por exemplo uma valorização no assunto e no conteúdo escrito, observando mais a iniciativa e criatividade individual, não tendo uma preocupação em seguir formatos pré-determinados e rígidos. Quem sabe estas atitudes não seriam altamente estimulantes para o surgimento de novas alternativas para um redimensionamento e redirecionamento de tendências mais voltadas a extrair o que os indivíduos possuem como conhecimento.
Permitindo que exista uma maior liberdade de expressão sem as restrições de muitas normas, seria dada ênfase para que todos possam expor suas opiniões mais livremente sem ter que seguir uma espécie de roteiro que pode causar um achatamento de idéias, tirando a espontaneidade e a direção inicial pretendida, resultando em uma padronização de trabalhos que pode até se tornar maçante.
É também possível coibir a prática da compra de trabalhos, com medidas relativamente simples para cercear a iniciativa desta atitude. Os professores ao longo dos cursos poderiam solicitar pequenas e rápidas redações individuais, de assunto decidido na hora durante as aulas. Ao confrontar as redações com um trabalho qualquer do mesmo aluno, fica fácil e evidente, verificar se foi o mesmo que escreveu, pois logo salta aos olhos a maneira peculiar de escrita e até o uso de expressões que cada um utiliza. Sem contar que essas redações podem ser uma excelente maneira de estimulo e aprofundamento para desenvolver a estruturação e realização de bons trabalhos.
Modestamente a intenção é de iniciar uma discussão sobre o tema, que possa indicar uma ou mais direções para extirpar de vez com o problema, não será a aplicação de penalidades ou atribuição de culpabilidade que irá resolver a questão. A principal meta é melhorar e elevar a qualidade dos trabalhos desenvolvidos nas instituições acadêmicas do país, com o intuito da melhoria de vida do brasileiro, pela apresentação de trabalhos científicos consistentes, elevando a credibilidade do Brasil frente ao exterior.
Clovis Pinheiro
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Trabalhos acadêmicos comprados
Redação Científica: resenha
A redação científica – Scientific writing
A redação científica é um suporte para a comunicação entre as pessoas interessadas em um mesmo assunto. Para que o seu pensamento expresso através de um texto científico seja efetivo é necessário considerar o perfil do leitor que fará uso do seu trabalho.
A pesquisa científica abrange várias etapas consecutivas, tais como: idéia brilhante, levantamento bibliográfico, formulação da hipótese, delineamento, execução e redação final. A redação é essencial para a divulgação do trabalho científico e a publicação em revistas especializadas é a forma mais efetiva de divulgação.
Considerada um relatório sobre o projeto executado, a redação, precisa ser simples, clara, precisa e concisa. Ao aplicar o seu estilo pessoal ao escrito, o autor deve evitar contaminá-lo com excesso de rebuscamento, erudição, metáforas e trocadilhos, lembrando-se sempre que o texto científico deve ser simples para ser compartilhado com todos os colegas da área.
Alguns passos são importantes para o sucesso do texto científico. Em primeiro lugar é necessário escolher a revista para publicação e estudas suas normas. Em paralelo, a leitura da literatura disponível permite ao autor planejar a redação que precisa ter, claramente, começo, meio e fim.
Os primeiros itens a serem definidos e escritos devem ser os materiais, métodos e resultados. A partir deles, a introdução e discussão serão mais facilmente encarados. Já o título, deve ser deixado por último, pois requer muita habilidade, uma vez que ele terá a função de atrair o leitor. Ao título deve-se atribuir palavras-chaves, pois ele será usado para indexação.
A introdução deve contemplar a pergunta, ou seja, o que será feito, a importância do tema ou problema e é necessário dizer por que a pesquisa foi feita. Não é aconselhável iniciar a introdução com intermináveis aspectos históricos sobre a área estudada, mostrando com isso erudição. Neste item as informações devem ser agrupadas por tópicos e não cronologicamente, fechando o texto com o que se pretende mostrar ao longo do trabalho.
Nos materiais e métodos é preciso incluir as informações que permitam ao leitor repetir o trabalho. É importante descrever as amostras, suas características, critérios de inclusão e exclusão, randomização, seqüência experimental, parâmetros, equipamentos e análise estatística.
Os resultados dever ser expressos de forma simples e sem repetições ou comentários, por meio de tabelas, gráficos, fotos e desenhos.
A discussão é o item que faz a ligação entre os resultados e a literatura. Ela deve explicar os achados, incluir pontos fortes e fracos do trabalho e projetar novas investigações, evitando-se a repetição dos resultados e a introdução. A conclusão é a parte final do trabalho e deve estar alinhada com os objetivos.
O resumo é o item por onde todos começam a leitura do trabalho. Nele devem constar aspectos do contexto, hipótese, objetivos, delineamento geral, resultados com análise estatística, aspectos da discussão e conclusão, em geral em 200 palavras.
Nos agradecimentos, menciona-se a agência financiadora, assim como pessoas e entidades que tenham contribuído na elaboração do artigo. Deve-se evitar agradecimentos por apoio, incentivo, etc.
As referências devem ser colocadas de acordo com as normas da revista, procurando sempre citar autores nacionais e internacionais.
Ao concluir a redação é necessário dar um acabamento ao texto, conferindo todos os itens, as ligações entre sentenças, a padronização do tempo verbal e a pessoa. O autor do texto é aquele que tem a maior participação e escreve o texto final. São co-autores aqueles que participam do efetivamente do projeto e execução do trabalho.
Depois de percorrido esse caminho, o manuscrito deverá ser encaminhado para uma revista, que fará a revisão através de seu corpo editorial.
YOSHIDA, W. B. A redação científica: Scientific writing. J. Vasc. Bras., v. 5, n. 4, p. 245-6, 2006.
Ketleen
Turma: Gestão de Arquivos
A redação científica é um suporte para a comunicação entre as pessoas interessadas em um mesmo assunto. Para que o seu pensamento expresso através de um texto científico seja efetivo é necessário considerar o perfil do leitor que fará uso do seu trabalho.
A pesquisa científica abrange várias etapas consecutivas, tais como: idéia brilhante, levantamento bibliográfico, formulação da hipótese, delineamento, execução e redação final. A redação é essencial para a divulgação do trabalho científico e a publicação em revistas especializadas é a forma mais efetiva de divulgação.
Considerada um relatório sobre o projeto executado, a redação, precisa ser simples, clara, precisa e concisa. Ao aplicar o seu estilo pessoal ao escrito, o autor deve evitar contaminá-lo com excesso de rebuscamento, erudição, metáforas e trocadilhos, lembrando-se sempre que o texto científico deve ser simples para ser compartilhado com todos os colegas da área.
Alguns passos são importantes para o sucesso do texto científico. Em primeiro lugar é necessário escolher a revista para publicação e estudas suas normas. Em paralelo, a leitura da literatura disponível permite ao autor planejar a redação que precisa ter, claramente, começo, meio e fim.
Os primeiros itens a serem definidos e escritos devem ser os materiais, métodos e resultados. A partir deles, a introdução e discussão serão mais facilmente encarados. Já o título, deve ser deixado por último, pois requer muita habilidade, uma vez que ele terá a função de atrair o leitor. Ao título deve-se atribuir palavras-chaves, pois ele será usado para indexação.
A introdução deve contemplar a pergunta, ou seja, o que será feito, a importância do tema ou problema e é necessário dizer por que a pesquisa foi feita. Não é aconselhável iniciar a introdução com intermináveis aspectos históricos sobre a área estudada, mostrando com isso erudição. Neste item as informações devem ser agrupadas por tópicos e não cronologicamente, fechando o texto com o que se pretende mostrar ao longo do trabalho.
Nos materiais e métodos é preciso incluir as informações que permitam ao leitor repetir o trabalho. É importante descrever as amostras, suas características, critérios de inclusão e exclusão, randomização, seqüência experimental, parâmetros, equipamentos e análise estatística.
Os resultados dever ser expressos de forma simples e sem repetições ou comentários, por meio de tabelas, gráficos, fotos e desenhos.
A discussão é o item que faz a ligação entre os resultados e a literatura. Ela deve explicar os achados, incluir pontos fortes e fracos do trabalho e projetar novas investigações, evitando-se a repetição dos resultados e a introdução. A conclusão é a parte final do trabalho e deve estar alinhada com os objetivos.
O resumo é o item por onde todos começam a leitura do trabalho. Nele devem constar aspectos do contexto, hipótese, objetivos, delineamento geral, resultados com análise estatística, aspectos da discussão e conclusão, em geral em 200 palavras.
Nos agradecimentos, menciona-se a agência financiadora, assim como pessoas e entidades que tenham contribuído na elaboração do artigo. Deve-se evitar agradecimentos por apoio, incentivo, etc.
As referências devem ser colocadas de acordo com as normas da revista, procurando sempre citar autores nacionais e internacionais.
Ao concluir a redação é necessário dar um acabamento ao texto, conferindo todos os itens, as ligações entre sentenças, a padronização do tempo verbal e a pessoa. O autor do texto é aquele que tem a maior participação e escreve o texto final. São co-autores aqueles que participam do efetivamente do projeto e execução do trabalho.
Depois de percorrido esse caminho, o manuscrito deverá ser encaminhado para uma revista, que fará a revisão através de seu corpo editorial.
YOSHIDA, W. B. A redação científica: Scientific writing. J. Vasc. Bras., v. 5, n. 4, p. 245-6, 2006.
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