quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Desconstruindo um artigo científico

RESENHA DE ARTIGO

Nome: Sonia Regina da Silva Petrosink
Data: 23/11/2008


Identificação do Artigo:

FERREIRA, A. S. ; ABREU, M. L. T. DE. Desconstruindo um artigo científico. Revista Brasileira de Zootecnia / Brazilian Journal of Animal Science, v. 36, p. 377-385, 2007. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1516-35982007001000034&script=sci_arttext
Acesso em 30 out 2008.



Resenha crítica

Os autores discorrem sobre a importância da produção do artigo técnico-científico para a construção do conhecimento e a grande responsabilidade do revisor neste difícil trabalho. Eles propõem a desconstrução, ou seja, desestruturação do artigo científico e das regras de elaboração do artigo técnico de uma forma detalhada. Também esclarecem as razões pelas quais as regras de construção de um artigo serem rígidas e internacionalizadas, como explica este trecho extraído do texto, “face ao volume de informações a serem armazenadas, face às diversas línguas e linguagens existentes e ainda face à necessidade de universilazar o conhecimento tornou-se conveniente estabelecer regras rígidas e internacionalizadas para a publicação e expressão do conhecimento”.
Vale destacar que os autores têm muita experiência como revisores de artigos para periódicos de diferentes áreas do conhecimento, inclusive a Revista Brasileira de Zootecnia. Eles contribuem para a melhoria do processo de revisão dos artigos a serem publicados na RBZ e, inclusive neste artigo eles sugerem algumas mudanças na estrutura das publicações desta revista, mas o trabalho deles se estende a outros periódicos também, as orientações são válidas a todos os escritores e pesquisadores que pretendem publicar seus artigos.
Eles ressaltam a importância de se conhecer o método científico e as normas nacionais e internacionais de estruturação do conhecimento e da forma textual, para podermos ter instrumentos para avaliar profundamente um artigo científico, responsabilidade árdua do revisor que no texto é comparado ao trabalho de um consultor. Eles enfatizam que os revisores são conselheiros do editor e que a decisão de publicar, ou não, um artigo, será sempre deste último.
Um aspecto interessante do texto é que antes de analisarem cada parte do artigo científico e desestruturarem o mesmo, os autores nos leva a uma reflexão sobre a construção do conhecimento, através da trilogia da ciência, verdade-evidência-certeza, base em que o cientista nos demonstra os resultados que alcançou com sua pesquisa, desta forma, será mais fácil aos revisores (consultores) não ficarem na ignorância sobre o universo do cientista. Na síntese da trilogia eles afirmam que, “relacionando o trinômio, poder-se-ia concluir dizendo: havendo evidência, isto é, se o objeto se desvelar ou se manifestar com suficiente clareza pode-se afirmar com certeza, ou seja, sem temor de engano, uma verdade.” De uma forma clara eles deslizam sobre estes três temas de uma forma objetiva e, ao mesmo tempo, profunda. Após esta reflexão eles abordam sobre o termo “conhecimento”, através da intuição e do conhecimento discursivo, concluindo que “conhecimento se dá pela razão e a razão precisa realizar abstração e abstrair é isolar, é separar de”, é desta forma que os autores retomam a proposta sobre o debate como desconstruir ou avaliar um artigo técnico-científico.
No tópico “Como avaliar um artigo técnico-científico”, eles sugerem que “para avaliar um artigo, a primeira coisa a se fazer é uma leitura, de certo modo dinâmica, do artigo na íntegra, sem interrupções, para se checar se não há exageros e nem incompatibilidades com a fôrma da revista, para em seguida ou em momento novo, se fazer leituras detalhadas e em partes do que se pretende avaliar”, orientação que, na minha opinião, é válida para qualquer pessoa que pretende interpretar um texto, desde o estudo básico até as especializações de mestrado e doutorado. Retomo mais uma vez a trilogia da ciência com o esclarecimento dos autores sobre as partes de um artigo, “a trilogia verdade - evidência - certeza deve ser apresentada em três momentos diferentes no artigo. A verdade relativa, aquela obtida da relação do pesquisador com o objeto de sua investigação, deve estar expressa na INTRODUÇÃO. A evidência, expressada na forma da interpretação dos resultados e do diálogo com a comunidade científica, deve estar contida na DISCUSSÃO. A certeza deve ser expressa na forma de CONCLUSÃO”.
O artigo discorre ainda, sobre todas as partes de um artigo técnico-científico, não detalharei cada uma delas, mas citarei algumas observações que valem ser abordadas, tais como na introdução, capítulo introdutório, quando os autores declaram quando devemos desconfiar do processo de construção do conhecimento, como segue, se
“1 - os verbos estiverem em tempo presente, 2 - a verdade estiver expressa na idéia de outrem e não dos autores, 3 - a adjetivação predominar, 4 - nele contiverem muita história e poucos conceitos e 5 - o objetivo tiver tautologicamente sido remetido para o trabalho e escapado dos autores”
As observações acima, tornam evidente o conhecimento detalhado que os autores têm sobre o assunto, pelas peculiaridades de cada item. Eles explanam sobre a quantidade de citações que, por vezes, a introdução contém. Mas, enfatizam que o revisor não deve ser impertinente com coisas tolas, mas sim perceber se os autores dos artigos estão, realmente, conscientes sobre o objeto de sua pesquisa em relação ao tema escolhido e a metodologia aplicada.
Após a análise sobre a introdução, os autores orientam sobre a escolha do título do artigo e, em seguida, o capítulo sobre metodologia, parte em que eles detectaram falhas em muitos artigos e, cabe ao revisor checar o método usado para testar as hipóteses e verificar se os autores elaboraram sua tese numa sequência lógica. Eles ainda, nos ajudam a refletir, “a desorganização descritiva é fator decisivo para a recomendação da recusa de uma publicação? A resposta é não, pois compete ao revisor apontá-la e aos autores acatar ou não as sugestões que julgarem relevante”.
No próximo passo eles discorrem sobre avaliação dos resultados e a avaliação do capítulo da discussão, no qual, “compete ao revisor checar se os resultados foram efetivamente discutidos. A discussão é o estabelecimento dos critérios da verdade e por isso muito mais do que comparar resultados, mistér se faz estabelecer a relação deles, de forma analítica, com o que foi verificado por outros em outras condições experimentais”. No tópico “conclusão”, vale ressaltar que devem ser redigidas com o verbo no presente, não se confundir com os resultados e nem ser apresentada de forma hipotética, cabe ao revisor, assim, “se as conclusões não estiverem corretas compete ao revisor corrigi-las e apresenta-las aos autores indicando ao editor que o aceite do artigo para a publicação está condicionado à correção da conclusão”. Quanto a última etapa, a avaliação geral, onde será avaliado o resumo e certos detalhes como, checar se o artigo contém marcas comerciais, o que não é aceitável em artigos científicos, melhor inseri-las nos agradecimentos, como orientam os autores.
Eles também fazem considerações sobre os dados dos autores e afirmam que não é trabalho do revisor checar se as citações bibliográficas estão corretas, esta é tarefa dos funcionários da revista. Mas, é pertinente ao revisor verificar “se os autores cometeram o equívoco de ler com os olhos dos outros, qual seja, de fazerem citação de citação do tipo Fulano de tal (2006) citado por Beltrano de tal (2005). Este tipo de citação é proibido internacionalmente. Em um tempo de globalização da informação não se admite que os autores não consigam recuperar uma informação”.
E, finalmente, eles abordam sobre ética, “desconstruir sim, mas com ética”, alguns revisores faltam com a ética na emissão dos seus pareceres. Os autores dos artigos não devem confundir as orientações sobre melhores procedimentos na redação de um artigo com agressividade. Neste artigo eles enfatizam que antiético é o revisor que não está apto a avaliar determinados temas, é necessário que quando um revisor é convidado a avaliar determinado trabalho ele esteja consciente da sua competência para fazê-lo, como já foi dito, o trabalho de um revisor é árduo.
Ressaltei na análise deste texto alguns pontos relevantes abordados pelos autores e concluo que o artigo esclarece várias dúvidas sobre a estruturação de um artigo científico, em certos momentos, de uma forma muito exigente. Deixo aqui minha reflexão sobre o tema, se queremos desenvolver nosso conhecimento, integrar e colaborar com qualidade, com o universo científico, devemos re-pensar nossos procedimentos, nossas evidências, certezas e verdades.

Gestão de pessoas em sistemas de informação: resenha

PESTANA, M.C. et. al. Desafios da sociedade do conhecimento e a gestão de pessoas em Sistemas de Informação. Ciência da Informação, Brasília, v. 32, n. 2, p. 77-84, maio/ago. 2003. Disponível em : .
Acesso em 18 de nov de 2008.


RESENHA: DESAFIOS DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO E GESTÃO DE PESSOAS EM SISTEMAS DE INFORMAÇÃO

Neste texto, o autor aborda um dos grandes desafios da sociedade do conhecimento, que é a “formação de líderes para a gestão de pessoas”, com foco em sistemas de informação.
Para lidar com o volume de informações que estão disponibilizados em diferentes formatos e ter acesso de forma rápida, eficaz e eficiente, exige-se do profissional bibliotecário, qualificações e aperfeiçoamento contínuo para atender às necessidade da instituição e dos clientes. Ter capacidade de gerenciar e administrar pessoas, trabalhar em equipe, com uma visão moderna de gestão e organização, são habilidades que são valorizados para o bom desempenho de suas atividades.
Com este enfoque, o autor contribuiu na minha compreensão, sobre a importância da gestão de pessoas, onde busca-se a melhoria dos serviços prestados através de seus funcionários motivados e satisfeitos que demonstram comprometimento com as suas tarefas. Hoje, as empresas estão se preocupando cada vez mais, em satisfazer as necessidades desses funcionários e assim obter a tranqüilidade para que estes desempenhem suas funções com maior produtividade.
Nesse sentido, a liderança é um fator importante no desenvolvimento de pessoas, pois os chefes, de acordo com Vinci (2002) estão se preocupando cada vez mais, em atender o potencial de cada um e as necessidades da organização.
Isso requer competências para o desenvolvimento de gestores, entre os quais podemos citar: uma mentalidade aberta a si próprio e as novas propostas do grupo, ter características pessoais como conhecimento, conceituação, flexibilidade, sensibilidade, julgamento, reflexão, competência, além de ter capacidade de gestão de competitividade, gestão da complexidade, gestão de adaptabilidade, gestão de equipes, gestão da incerteza, gestão do aprendizado, etc. Os profissionais da informação precisam considerar que estamos vivendo num mundo competitivo e que a concorrência é acirrada, daí o esforço para procurar o aperfeiçoamento.
Nos sistemas de informação, cabe ainda, ao gestor de pessoas capacidades como : ter iniciativa, comprometimento, atitude sinérgica, ousadia, ser criativo, ouvir e ser ouvido, viabilizar a comunicação, reconhecer o trabalho das pessoas, ser ético, ter energia radiante, contribuir para a formação de valores e crenças dignificantes, construir formas de auto-aprendizado, conhecer seus pontos fortes e os fracos e principalmente fazer da informação sua ferramenta de trabalho. A dificuldade, no meu ponto de vista, é encontrar uma pessoa com todas essas características juntas, mas acredito ser de grande utilidade ter o conhecimento dessas qualidades ao depararmos com as diversas situações em que somos expostos no decorrer do trabalho para demonstrar no mínimo, equilíbrio nas nossas ações.
Outro ponto que achei importante na gestão de pessoas é o trabalho em equipe, que se não for bem conduzido pode gerar resultado negativo. É necessário que o grupo se sinta responsável pelo objetivo a ser atingido e também sentir-se motivado para compartilhar os bons resultados assim como assumir os riscos que poderão surgir. Para isso, a figura o líder, do gestor de pessoas, torna-se fundamental para que todos conheçam o processo em que estão inseridas, e que funcionem “como uma engrenagem onde nenhuma peça pode falhar”. Nada é feito sem ter objetivos declarados e estratégias viáveis a sua realização em um verdadeiro comprometimento entre todos os integrantes dos processos.
Assim, nos sistemas de informação o trabalho em equipe terá bons resultados se todos tiverem a visão do sistema, e não apenas do setor onde é desenvolvido determinado tipo de tarefa. Deve ainda, como o próprio artigo menciona, estabelecer parâmetro para o desenvolvimento do trabalho de acordo com os desafios que estão presentes no dia-a-dia dos bibliotecários.
Neste contexto, o autor cita que “é importante ser um bom líder, e para isso é necessário saber exatamente aonde se quer chegar, como chegar e quando chegar. Juntamente com uma liderança bem exercida, o trabalho em equipe possui um papel importante na motivação."
Enfim, verifico que negócios e profissionais de sucesso não são por acaso, são conseguidos com planejamento, perseverança, capacidade para converter conhecimento em ações, pessoas capazes e comprometidas umas com as outras, missão conhecida por todos e fatores de desempenho medido e avaliado permanentemente e principalmente habilidade e rapidez de mudar para adotar novas tecnologias e procedimentos de trabalho diante de novos desafios.

CATARINA TOSHIE SEQUIA FUNAGOSHI

A importância da metodologia

A IMPORTANCIA DA METODOLOGIA : um exemplo histórico


“A arte de descobrir a verdade é mais preciosa que a maioria das verdades que se descobrem” (Fontenelle)


Apesar de exaustiva literatura a respeito da metodologia científica, verifica-se lacunar a comparação e sua influência perante o conhecimento e o cotidiano dos leigos. O que difere, de fato, o conhecimento popular da ciência? O que torna o conhecimento técnico diferenciado dos dizeres dos mais antigos?
O conhecimento empírico tratado como conhecimento vulgar e do senso comum utiliza-se da “estratégia” ensaios e tentativas, sem levantamento de erros e propostas de atuação. Baseia-se na experiência do indivíduo, recorrendo pouco aos cânones científicos. É, portanto, assistemático e ametódico.
Já o conhecimento cientifico busca além de reconhecer os fenômenos, também conhecer suas causas e suas leis. É por definição, objetivo, pertinente ao interesse intelectual e o espírito crítico. Como similaridade com o conhecimento empírico, pode-se sugerir a proximidade de seus objetos e até mesmo o imediatismo, perceptíveis pelos sentidos ou, no caso da ciência, por instrumentos, “(...) sendo de ordem material ou física, são suscetíveis de experimentação”. (Cervo,A. L.; Bervian, P. A, 2002, p.10).
Reconhecendo a notória relevância tanto o conhecimento empírico como o conhecimento cientifico, esta resenha pretende modestamente, suscitar trechos de salutares referências bibliográficas e retomar essa discussão primordial para melhor apreensão dos fundamentos de metodologia, e demonstrar, tomando a antropologia e a historia como ciências dotadas também de metodologias próprias, um dos grandes saltos evolutivos do homem, a ocupação da América e a importância do desenvolvimento e da cristalização das técnicas e do método[1].

Definição

Para Asti Vera (1973), metodologia é “(...) estudo analítico e crítico dos métodos de investigação e de prova (...) [atua] como descrição, análise e avaliação crítica dos métodos de investigação” (p.8).
É a redução das tentativas de ensaio e erro, apresentadas pelo conhecimento popular, traçando os caminhos percorridos pelo pesquisador–cientista. Analisa seus procedimentos, que são instrumentos para alcançar os fins da investigação. É mais generalista que a técnica, que é a definição dos meios auxiliares para a conclusão da pesquisa[2].
Para Einstein, “(...) a compreensão, se alcança, quando reduzimos os fenômenos, por um processo lógico, a algo já conhecido (ou na aparência) evidente”. (Asti Vera, 1973, p.9). Deste modo, complementando Asti Vera, Einstein demonstra que o uso da metodologia é o ponto alto da lucidez do cientista, que busca otimização dos recursos, redução de tempo, e melhor aproveitamento dos materiais, usando a lógica de experiências anteriores, colocando em cheque dados ulteriores e usando a crítica na avaliação dos resultados.
Como a definição e escolha do método dependem principalmente do objeto a ser pesquisado, as investigações coroadas com êxito são aquelas que observam os avanços e retrocessos dos processos.
Para Cervo e Bervian (Cervo,A. L; Bervian, P. A, 2002), “o método é fator de segurança e economia na ciência”. (p.23). Corroboram a importância da adoção de metodologia adequada indicando que “(...) a ciência é uma das poucas realidades que podem ser legadas a gerações seguintes” (p.5). O uso de métodos e da ciência no cotidiano humano será melhor explicitado com o autor escolhido para o debate, Darcy Ribeiro.

Importância & exemplo

“(...) [a ciência pretende aproximar-se] cada vez mais da verdade através de métodos que proporcionem controle, sistematização, revisão e segurança maior do que outras formas de saber não-científicas”. (Cervo, A. L.; Bervian, P. A., 2002, p. 10).

Sugere-se, dessa forma, que a metodologia auxilia a atualização histórica dos povos no desenvolvimento de tecnologias: as transposições da agricultura rudimentar para as modernas técnicas de cultivo, podem ser entendidas como um dos exemplos primordiais no entendimento da metodologia como fator preponderante evolutivo humano[3].
Em 1972, surge um livro referência na ciência brasileira: o processo civilizatório, de Darcy Ribeiro, pesquisador mineiro, formado em São Paulo e estudioso dos indígenas, principalmente do centro do Brasil. A guisa de elucidar o processo de evolução americano, Darcy vai estudar desde a formação das primeiras civilizações humanas, tentando desta forma destrinchar as motivações para a disparidades entre as nações modernas e as desigualdades, principalmente dos povos ditos atrasados.

“Como classificar, uns em relação aos outros, os povos indígenas que variavam desde altas civilizações até hordas pré-agrícolas e que reagiram à conquista segundo o grau de desenvolvimento que haviam alcançado? Como situar em relação àqueles povos e aos europeus, os africanos desgarrados de grupos em distintos graus de desenvolvimento para serem transladados à América como mão-de-obra escrava? Como classificar os europeus que regeram a conquista? Os ibérios que chegaram primeiro e os nórdicos que vieram depois - sucedendo-os no domínio de extensas áreas - configuravam o mesmo tipo de formação sociocultural? Finalmente, como classificar e relacionar as sociedades nacionais americanas por seu grau de incorporação aos moldes de vida da civilização agrária-mercantil e, já agora, da civilização industrial? (Ribeiro, D., 1972, p.02).

Chega a conclusão de que a forma das alterações produtivas, como o uso do regadio por civilizações orientais, e as transposições de cultivo para evitar o desgaste da terra na Europa pós-medieval trouxeram avanços técnicos a essas populações, que não foram implantados nas populações dominadas, como a americana: o método não foi trazido, por conseqüências imediatas tem-se a exploração imediatista e o desgaste do ambiente como fatores determinantes nessas nações.
Ao questionar-se sobre a passagem do agrário-mercantil para o fabril, Ribeiro demonstra o choque da precocidade da mudança[4]; no decorrer do livro, com diversos excertos sobre as técnicas agricultáveis coloca como a mudança do uso exclusivo da sabedoria popular no cultivo com técnicas milenares, mas nem sempre ideais, para o uso de novas técnicas, e por conseqüência, novos métodos auxiliaram na evolução e sucesso dos processos sociais, no caso americano.

Conclusões

Poder-se-ia aqui traçar exemplo em diversas áreas da importância da metodologia nos seus processos, para maior eficácia, eficiência e sobretudo, qualidade de resultados.
Escolheu-se para tal elucidação, a própria historia do homem, em uma de suas parcelas mais significativas, a descoberta da América, e o choque das civilizações envolvidas. A metodologia aqui explicada foi não só a científica, a que auxilia na redação da tese, no desenvolvimento de pesquisas, no que traz a bancada do pesquisador soluções e caminhos, mas também aquela que atua no campo prático, também imbuída de interesse cientificista e desejo de conhecimento.
Mostrou-se, através da bibliografia especifica, que a metodologia não induz o resultados da pesquisa, mas potencializa a agilidade do pesquisador, que através da redução de tempo e gasto com material. Concorda-se com a citação de Einstein que coloca como “processos lógicos” trazem a rápido alcance a compreensão.
A sociedade americana, que também conheceu as mazelas da expropriação, do abusivo colonizador e das espúrias tentativas e conquistas européias sob seu território, também conheceu novas técnicas de cultivo, que visavam sucesso econômico e sublevações competitivas entre as nações. A própria Europa, que historicamente sofreu pandemias de fome e doenças, aprendeu através do desenvolvimento e aplicação de métodos agricultáveis, o quanto lucrativo e menos exaustivo poderia ser a exploração da terra nativa.
O uso de exemplo prático (fático) para suscitar importância da metodologia científica justifica-se dado que não somente em pequenos âmbitos a observância dos métodos alcança vultuosos resultados. O conhecimento empírico trouxe o homem a agricultar rudimentarmente a terra, sobreviver dela; a utilização de métodos e técnicas científicamente desenvolvidas concedeu-lhe a oportunidade de desenvolver a economia, não só sobrevivendo, mas se sustentando como homem produtor num mundo recém-capitalista.
Bibliografia

ASTI VERA, Armando. Metodologia da pesquisa científica. Porto Alegre : Globo, 1973.

CARVALHO, Alex [et al.]. Aprendendo metodologia científica. São Paulo : O Nome da Rosa, 2000. p.11-69.

CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo : Prentice Hall, 2002.

ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 11. ed. São Paulo: Perspectiva, 1994. (Coleção estudos).

RIBEIRO, Darcy. O processo civilizatório: Etapas da evolução sócio-cultural. 10. ed. Petrópolis : Vozes, 1987.

SALOMON, Décio Vieira. Maravilhosa incerteza: pensar, pesquisar e criar. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006.
[1] Como estudo de caso, preferiu-se não somente se ater a exemplos da literatura científica, e sim trazer exemplo prático de metodologias influenciando diretamente o homem, como neste modelo escolhido, a visão antropológica de Darcy Ribeiro sobre a invasão da América.
[2] O método é o conjunto de das diversas etapas, que são as técnicas. Nota do autor.
[3] Cita-se aqui Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, em seu livro clássico “Processo civilizatório”, que insere o leitor na noção de atualização histórica das primeiras civilizações até as grandes alterações políticas do século XX. Choca a proposição antagônica oriente-ocidente nas formas de cultivo da terra, do desenvolvimento de tecnologias, e suas implicações na historia da humanidade. Nota do autor.
[4] Neste trecho Darcy justifica o porque do livro e da pesquisa; as sociedades americanas e seus meandros durante a exploração européia e as mudanças bruscas as quais passou desde a invasão, a principio dos ibérios, trazendo métodos diferenciados de cultivo, que alteraram de forma drástica a sociedade aqui existente. Não pertinente a essa resenha, mas sim ao estudo dessas sociedades, deve-se observar que neste caso, a economia, a micro estrutura para Karl Marx, alterou toda a organização social. Nota do autor.

Enviado por Maria Lúcia Fuzaite

Das bibliotecas convencionais às digitais: resenha

CUNHA, Murilo Bastos da. Das bibliotecas convencionais às digitais: diferenças e convergências. In: Perspectivas em Ciência da Informação, v.13, n.1, p.2-17, jan./abr. 2008. Disponível em: . Acesso em: novembro de 2008.

Novos paradigmas para velhos dilemas

O artigo apresenta, inicialmente, o resgate de um histórico de idealização e tentativas de concretização de um repositório que conseguisse armazenar registros bibliográficos e materiais que representassem o conhecimento humano. Mostra com isso, que idéia de reunir e disponibilizar acervos para pessoas em qualquer parte do mundo é uma idéia antiga e agora possível por meio da tecnologia existente, web e seus recursos.
Conceitua biblioteca convencional e biblioteca digital por meio de comparações entre ambas e apresenta suas semelhanças e diferenças dentro do contexto atual. Os aspectos de comparação focam a organização da informação, o acesso à informação, o aspecto econômico e ações cooperativas.
Sobre a organização da informação, o autor comenta sobre o conteúdo, que pode ser material antigo convertido no digital ou nascido já como digital e que não estejam sobre a vigência dos direitos autorais. Ressalta as habilidades profissionais bibliotecárias que atendam a esse contexto, incluindo habilidades ligadas à tecnologia e outros como comunicação, gerenciamento de projetos, problemas legais, captação de recursos. Ainda sobre os materiais, lembra sobre a natureza dos digitais que agregam e misturam formatos como dados numéricos, imagens, sons, entre outros, o que faz com que esforços sejam direcionados na análise de assuntos, controle de autoridades, identificação e avaliação do recurso informacional do que em uma catalogação descritiva.
Uma diferença fundamental, que se mostra até como um novo paradigma, é quanto ao acesso. A ênfase adotada pela biblioteca digital buscar ser maior no acesso e menor na coleção. O que se torna fundamental são as opções de acesso a informação e não a posse do documento em si. Isso significa que a posse do material deixa de ser relevante e o quê importa é a provisão de acesso ao material. A biblioteca como espaço físico perde para seu espaço e serviços virtuais.
Para a concretização de uma biblioteca digital ou a conversão de uma convencional para digital, inevitavelmente os custos não são gratuitos. A biblioteca terá que concentrar recursos na modernização de suas ferramentas tecnológicas e também se deve ter consciência de que nem toda a informação a ser disponibilizado está isenta de custos.
A maior parte das informações que se encontra disponível de forma gratuita na internet é de domínio público. Informações recentes, de fontes confiáveis, feitas por profissionais de área necessitam de autorização para a disponibilização e/ou estão ligadas a sistemas de propriedade intelectual.
Além disso, dentro do contexto digital, as bibliotecas terão que cooperar para sobreviverem. A cooperação, segundo o autor, é necessária por três razões: “os recursos humanos devem ter o conhecimento tecnológico demandado por inúmeras organizações; o estabelecimento de laços cooperativos aumentará o poder de barganha das bibliotecas em relação aos seus competidores; a ação de normas e padrões comuns terá impacto nas atividades de reciclagem dos recursos humanos e na adoção de tecnologias que focarão ações coopertavias”.

Fato é que a biblioteca convencional e a digital coexistem, cada uma com seus serviços e produtos, e também se relacionem, seja no fornecimento de materiais para digitalização ou no controle de qualidade das bibliotecas virtuais.
A capacidade de assimilar os novos paradigmas é fundamental para que a biblioteca possa reagir aos desafios, oportunidades e responsabilidades que se apresentam.
O artigo apresenta de forma concisa e pontual algum desses novos paradigmas que surgiram e continuam a surgir no cenário das bibliotecas, não só referentes a organização das coleções, acesso, mas principalmente em relação aos serviços e produtos.
O que realmente não muda é o foco no usuário, que sempre deseja e procura um sistema que recupere a informação com qualidade, de forma eficaz e fácil de utilizar.


SOFIA SAHEKI SKULSKI
Novembro 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O papel da TI nos sistemas de Informação

1- Análise

O artigo aborda de forma eficiente o papel da TI na GC (e por consequencia em sistemas de informação), porém traz paralelos que tiram o foco do assunto principal. Os paralelos em si não deixam de ser importantes e mostram questões de destaque como, por exemplo, mensurar ganhos de negócio co ma GC (uma das maiores fontes de preocupação de sobrevivência de programas de GC nas empresas) e visto que ainda são poucas as empresas que implementam programas integrados de GC no Brasil (dados de pesquisas do texto ressaltam que 8% das empresas participantes da pesquisa têm equipes específicas para ações de GC e somente 9% possuem orçamento para essa área).

A TI, portanto, é importante instrumento de apoio à incorporação do conhecimento como o principal agregador de valor aos produtos, processos e serviços entregues pelas organizações aos seus clientes. Assim entende-se aqui a TI como um componente importante de GC e dos sistemas de informação. Porém cabe destacar que a TI também e utilizada para determinar a área responsável pelos sistemas (não só informacionais, mas processuais da mesma forma), além da estrutura tecnológica, de produção, de ligação em rede, de comunicação e de logística.

Acredito ser importante destacar cada vez mais que a TI é responsável pelos sistemas que suportem as atividades de gestão do conhecimento, porém a TI é mais ampla quando analisada do ponto de vista holístico. Esse posicionamento é importante principalmente se destacarmos a posição das autoras no artigo: “Destaca-se, ainda que enquanto a tecnologia da informação e comunicação começou a ser utilizada pelas organizações na década de 1950, o conceito de GC, segundo Sveiby, surgiu no início da década de 1990”. Logo, a TI para GC deve ser sempre contextualizada. Assim, pode-se tentar acabar com a confusão típica de solução tecnológica para um programa de GC que engloba muito mais itens.

Maiores conclusões dos autores destacam que “GC e sistemas de informação, portanto, não é só tecnologia, envolve, além disso, gestão de pessoas, com perspectivas e motivações individuais, processos, aspectos psicológicos, emocionais e valores intrínsecos de personalidade e caráter. Administrar esse recurso pressupõe a prática constante e ininterrupta dos quatro pilares do conhecimento: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver juntos (aprender a viver com os outros); aprender a ser.”. Logo, vemos que há uma preocupação de lista a TI como um pilar de GC, porém o texto pouco aprofunda em argumentos que poderiam facilitar a defesa dessa visão.

Aos profissionais da informação cabe o papel de entender a Tecnologia da Informação como este componente importante, buscando trabalhar junto as áreas de TI – que preocupam-se com sistemas dos mais variados da empresa, aqueles de missão crítica, de apoio aos negócios, além de estrutura tecnológica e de logística – na valorização da gestão e buscando respostas para questões de como mensurar o retorno, para a empresa, do investimento  realizado em gestão do conhecimento.

Charlley Luz - novembro de 2008

terça-feira, 18 de novembro de 2008

A importância da Metodologia: um exemplo histórico






“A arte de descobrir a verdade é mais preciosa que a maioria das verdades que se descobrem” (Fontenelle)




Apesar de exaustiva literatura a respeito da metodologia científica, verifica-se lacunar a comparação e sua influência perante o conhecimento e o cotidiano dos leigos. O que difere, de fato, o conhecimento popular da ciência? O que torna o conhecimento técnico diferenciado dos dizeres dos mais antigos? O conhecimento empírico tratado como conhecimento vulgar e do senso comum utiliza-se da “estratégia” ensaios e tentativas, sem levantamento de erros e propostas de atuação. Baseia-se na experiência do indivíduo, recorrendo pouco aos cânones científicos. É, portanto, assistemático e ametódico. Já o conhecimento cientifico busca além de reconhecer os fenômenos, também conhecer suas causas e suas leis. É por definição, objetivo, pertinente ao interesse intelectual e o espírito crítico. Como similaridade com o conhecimento empírico, pode-se sugerir a proximidade de seus objetos e até mesmo o imediatismo, perceptíveis pelos sentidos ou, no caso da ciência, por instrumentos, “(...) sendo de ordem material ou física, são suscetíveis de experimentação”. (Cervo,A. L.; Bervian, P. A, 2002, p.10). Reconhecendo a notória relevância tanto o conhecimento empírico como o conhecimento cientifico, esta resenha pretende modestamente, suscitar trechos de salutares referências bibliográficas e retomar essa discussão primordial para melhor apreensão dos fundamentos de metodologia, e demonstrar, tomando a antropologia e a historia como ciências dotadas também de metodologias próprias, um dos grandes saltos evolutivos do homem, a ocupação da América e a importância do desenvolvimento e da cristalização das técnicas e do método[1]. Definição Para Asti Vera (1973), metodologia é “(...) estudo analítico e crítico dos métodos de investigação e de prova (...) [atua] como descrição, análise e avaliação crítica dos métodos de investigação” (p.8). É a redução das tentativas de ensaio e erro, apresentadas pelo conhecimento popular, traçando os caminhos percorridos pelo pesquisador–cientista. Analisa seus procedimentos, que são instrumentos para alcançar os fins da investigação. É mais generalista que a técnica, que é a definição dos meios auxiliares para a conclusão da pesquisa[2]. Para Einstein, “(...) a compreensão, se alcança, quando reduzimos os fenômenos, por um processo lógico, a algo já conhecido (ou na aparência) evidente”. (Asti Vera, 1973, p.9). Deste modo, complementando Asti Vera, Einstein demonstra que o uso da metodologia é o ponto alto da lucidez do cientista, que busca otimização dos recursos, redução de tempo, e melhor aproveitamento dos materiais, usando a lógica de experiências anteriores, colocando em cheque dados ulteriores e usando a crítica na avaliação dos resultados. Como a definição e escolha do método dependem principalmente do objeto a ser pesquisado, as investigações coroadas com êxito são aquelas que observam os avanços e retrocessos dos processos. Para Cervo e Bervian (Cervo,A. L; Bervian, P. A, 2002), “o método é fator de segurança e economia na ciência”. (p.23). Corroboram a importância da adoção de metodologia adequada indicando que “(...) a ciência é uma das poucas realidades que podem ser legadas a gerações seguintes” (p.5). O uso de métodos e da ciência no cotidiano humano será melhor explicitado com o autor escolhido para o debate, Darcy Ribeiro. Importância & exemplo “(...) [a ciência pretende aproximar-se] cada vez mais da verdade através de métodos que proporcionem controle, sistematização, revisão e segurança maior do que outras formas de saber não-científicas”. (Cervo, A. L.; Bervian, P. A., 2002, p. 10). Sugere-se, dessa forma, que a metodologia auxilia a atualização histórica dos povos no desenvolvimento de tecnologias: as transposições da agricultura rudimentar para as modernas técnicas de cultivo, podem ser entendidas como um dos exemplos primordiais no entendimento da metodologia como fator preponderante evolutivo humano[3]. Em 1972, surge um livro referência na ciência brasileira: o processo civilizatório, de Darcy Ribeiro, pesquisador mineiro, formado em São Paulo e estudioso dos indígenas, principalmente do centro do Brasil. A guisa de elucidar o processo de evolução americano, Darcy vai estudar desde a formação das primeiras civilizações humanas, tentando desta forma destrinchar as motivações para a disparidades entre as nações modernas e as desigualdades, principalmente dos povos ditos atrasados. “Como classificar, uns em relação aos outros, os povos indígenas que variavam desde altas civilizações até hordas pré-agrícolas e que reagiram à conquista segundo o grau de desenvolvimento que haviam alcançado? Como situar em relação àqueles povos e aos europeus, os africanos desgarrados de grupos em distintos graus de desenvolvimento para serem transladados à América como mão-de-obra escrava? Como classificar os europeus que regeram a conquista? Os ibérios que chegaram primeiro e os nórdicos que vieram depois - sucedendo-os no domínio de extensas áreas - configuravam o mesmo tipo de formação sociocultural? Finalmente, como classificar e relacionar as sociedades nacionais americanas por seu grau de incorporação aos moldes de vida da civilização agrária-mercantil e, já agora, da civilização industrial? (Ribeiro, D., 1972, p.02). Chega a conclusão de que a forma das alterações produtivas, como o uso do regadio por civilizações orientais, e as transposições de cultivo para evitar o desgaste da terra na Europa pós-medieval trouxeram avanços técnicos a essas populações, que não foram implantados nas populações dominadas, como a americana: o método não foi trazido, por conseqüências imediatas tem-se a exploração imediatista e o desgaste do ambiente como fatores determinantes nessas nações. Ao questionar-se sobre a passagem do agrário-mercantil para o fabril, Ribeiro demonstra o choque da precocidade da mudança[4]; no decorrer do livro, com diversos excertos sobre as técnicas agricultáveis coloca como a mudança do uso exclusivo da sabedoria popular no cultivo com técnicas milenares, mas nem sempre ideais, para o uso de novas técnicas, e por conseqüência, novos métodos auxiliaram na evolução e sucesso dos processos sociais, no caso americano. Conclusões Poder-se-ia aqui traçar exemplo em diversas áreas da importância da metodologia nos seus processos, para maior eficácia, eficiência e sobretudo, qualidade de resultados. Escolheu-se para tal elucidação, a própria historia do homem, em uma de suas parcelas mais significativas, a descoberta da América, e o choque das civilizações envolvidas. A metodologia aqui explicada foi não só a científica, a que auxilia na redação da tese, no desenvolvimento de pesquisas, no que traz a bancada do pesquisador soluções e caminhos, mas também aquela que atua no campo prático, também imbuída de interesse cientificista e desejo de conhecimento. Mostrou-se, através da bibliografia especifica, que a metodologia não induz o resultados da pesquisa, mas potencializa a agilidade do pesquisador, que através da redução de tempo e gasto com material. Concorda-se com a citação de Einstein que coloca como “processos lógicos” trazem a rápido alcance a compreensão. A sociedade americana, que também conheceu as mazelas da expropriação, do abusivo colonizador e das espúrias tentativas e conquistas européias sob seu território, também conheceu novas técnicas de cultivo, que visavam sucesso econômico e sublevações competitivas entre as nações. A própria Europa, que historicamente sofreu pandemias de fome e doenças, aprendeu através do desenvolvimento e aplicação de métodos agricultáveis, o quanto lucrativo e menos exaustivo poderia ser a exploração da terra nativa. O uso de exemplo prático (fático) para suscitar importância da metodologia científica justifica-se dado que não somente em pequenos âmbitos a observância dos métodos alcança vultuosos resultados. O conhecimento empírico trouxe o homem a agricultar rudimentarmente a terra, sobreviver dela; a utilização de métodos e técnicas científicamente desenvolvidas concedeu-lhe a oportunidade de desenvolver a economia, não só sobrevivendo, mas se sustentando como homem produtor num mundo recém-capitalista. Bibliografia ASTI VERA, Armando. Metodologia da pesquisa científica. Porto Alegre : Globo, 1973. CARVALHO, Alex [et al.]. Aprendendo metodologia científica. São Paulo : O Nome da Rosa, 2000. p.11-69. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo : Prentice Hall, 2002. ECO, Umberto. Como se faz uma tese. 11. ed. São Paulo: Perspectiva, 1994. (Coleção estudos). RIBEIRO, Darcy. O processo civilizatório: Etapas da evolução sócio-cultural. 10. ed. Petrópolis : Vozes, 1987. SALOMON, Décio Vieira. Maravilhosa incerteza: pensar, pesquisar e criar. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2006. [1] Como estudo de caso, preferiu-se não somente se ater a exemplos da literatura científica, e sim trazer exemplo prático de metodologias influenciando diretamente o homem, como neste modelo escolhido, a visão antropológica de Darcy Ribeiro sobre a invasão da América. [2] O método é o conjunto de das diversas etapas, que são as técnicas. Nota do autor. [3] Cita-se aqui Darcy Ribeiro, antropólogo brasileiro, em seu livro clássico “Processo civilizatório”, que insere o leitor na noção de atualização histórica das primeiras civilizações até as grandes alterações políticas do século XX. Choca a proposição antagônica oriente-ocidente nas formas de cultivo da terra, do desenvolvimento de tecnologias, e suas implicações na historia da humanidade. Nota do autor. [4] Neste trecho Darcy justifica o porque do livro e da pesquisa; as sociedades americanas e seus meandros durante a exploração européia e as mudanças bruscas as quais passou desde a invasão, a principio dos ibérios, trazendo métodos diferenciados de cultivo, que alteraram de forma drástica a sociedade aqui existente. Não pertinente a essa resenha, mas sim ao estudo dessas sociedades, deve-se observar que neste caso, a economia, a micro estrutura para Karl Marx, alterou toda a organização social.
Nota do autor. Resenha: Maria Lúcia Fuzaite

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Este será meu artigo para a resenha

mbora a Gestão do Conhecimento (GC) seja função comum nas organizações, muitas não têm visão clara de como incorporá-la e transformá-la em vantagem competitiva. A escassez de estudos comprovando que a GC faz diferença no desempenho organizacional, e a cultura, talvez sejam os fatores mais influentes na promoção ou inibição de práticas de GC. Há empresas que usam ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) como fator de competitividade, confundindo-as com GC. Outras acreditam que a TI sozinha possa servir para gerenciar o conhecimento, o que é um equívoco. A razão disso pode estar no surgimento da TI antes da GC, ou na escassez da literatura abordando a função da TI na GC. Daí a falta de clara distinção entre TI e GC que vise à interação adequada entre ambas. O papel principal da TI é dar suporte à GC, ampliando o alcance e acelerando a velocidade de transferência do conhecimento. É identificar, desenvolver e implantar tecnologias que apóiem a comunicação
empresarial, o compartilhamento e a gestão dos ativos de conhecimento. A TI desempenha papel de infra-estrutura, a GC envolve aspectos humanos e gerenciais. Este artigo discute a interação entre TI e GC como instrumentos de gestão estratégica e desempenho
organizacional.

domingo, 9 de novembro de 2008

Arquivista 2.0: especialista em informação humana digital

Muito se fala no mundo 2.0 - empresa 2.0, web 2.0, trabalhador (worker) 2.0. O termo Web 2.0 é utilizado para definir uma nova etapa da World Wide Web, que reforça os conceitos de colaboração dos internautas e oferta de serviços on-line. 

Esse novo mundo 2.0 é espelhado através da informação orgânica, registro da inteligência coletiva, das decisões das pessoas instituições e do relacionamento profissional. É a prova da ação humana e o registro de suas atividades nos processos.

Tanto é de fato que a gestão de conhecimento corporativo, por exemplo, hoje registra o que está acontecendo entre as pessoas nas empresas e entre elas e as próprias instituições, através da história oral em projetos e o registro da tomada de decisão só para citar dois. 

Mais que nunca o e-mail hoje é o documento mais importante nas empresas, é uma evidência sempre considerada. Além do mais, a colaboração corporativa, onde os individuos relacionam-se numa comunidade virtual realizando determinado tipo de troca de informações, atividade, processo ou trabalho é hoje o destaque no mercado corporativo. Leia Wikinomics e saberá porquê.

Essas novas atividades de geração de informação também geraram novos perfis de pessoas: os proconsumers, aqueles que produzem e consomem conteúdo e informações. Essa relação se dá em arenas de relacionamento que utilizam ferramentas de web 2.0, como os blogs, wikis, microblogs, ambientes de troca de arquivos. Aqui o arquivista 2.0 deve pensar na classificação e estruturação da informação, além da própria temporalidade, pois no ambiente digital sempre temos de lembrar da preservação digital e do tamanho limitado dos servidores para registar as informações.

O arquivista 2.0 deve entender essa informação orgânica e ver o que se deve fazer com o conteúdo gerado nos blogs e wikis da vida e nas ferramentas de interação humana no mundo digital. E como é o versionamento de conteúdo num documento gerado num workflow colaborativo? E a classificação/indexação e o descarte? Ainda temos de pensar no acesso, armazenamento e busca desses conteúdos.

E o que fazer com as redes sociais, as discussões registradas nos tópicos de fórum? E a folksonomia (a etiquetagem de informação realizada pelos próprios usuários), serve só para o usuário ou tem um sentido mais amplo, pode ser adequado a outros usuários? Temos de pensar cada vez mais na relação direta e orgânica das pessoas e das informações, só possível nos ambientes digitais.

E os famosos metadados? Objeto de estudo nas faculdades e objeto de trabalho para quem trabalha com informações digitais. O projeto internacional Interpares de Luciana Duranti, tocado por arquivistas no mundo todo e que busca, por exemplo, trabalhar a validação e autencidade das informações digitais preocupa-se com isso há muito tempo.

Isso não deve ser uma novidade para nós arquivistas, profissionais responsáveis pelas informações orgânicas - aquelas geradas nas decisões e explicitadas em registros -, na verdade esse novo comportamento 2.0 já havia sido pensado desde o início da web, todo mundo trabalhando em rede, trocando informações de forma multifacetada. A invenção de Tim Berners-Lee a WWW, era para possibilitar que ele, através de um protocolo de troca de informações (TCP/IP) e algo que só existia na teoria - o hiperlink textual - conseguisse trabalhar de forma colaborativa com outros cientistas.

Por isso me pergunto:  todo mundo sabe o conceito clássico de documento (salve Schelemberg!)... mas olhado ali na frente, ali na esquina com a realidade posta de virtualização e digitalização da informação me pergunto - o que é documento? Devemos rever seu conceito como, por exemplo, se revê hoje os direitos autorais? Com certeza esse deve ser um ponto de atenção para os arquivistas 2.0 :-)


Charlley Luz – São Paulo - é publicitário e arquivista pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Especialista em projetos de Ciência da Informação em portais corporativos, atuou como atendimento, mídia e planejamento em agências de propaganda por mais de dez anos, atendendo campanhas publicitárias para empresas e organizações no RS. Na área de internet iniciou seu trabalho na wwwriters em 1999 com a elaboração de projetos de ambientes digitais, através da arquitetura de informação e conteúdo. É consultor de Ciência da Informação e Comunicação da Plena Consultores, trabalhou em projetos para empresas como CCR - Companhia de Concessões Rodoviárias, Toyota do Brasil, Light Energia, Suzano Papel e Celulose, Contax, oas Construtora e Sebrae Nacional, entre outros. Atualmente desenvolve também pesquisas acadêmicas na área da Ciência da Informação.

sábado, 8 de novembro de 2008

Teoria de base

Estava pesquisando sobre a necessidade de base teorica num trabalho científico o veja que interessante:

Teoria de Base, Metodologia...

Teoria de Base
As pesquisas no campo da Psicologia, Sociologia, Antropologia, Ciências Políticas eEconomia apóiam-se em teorias. Neste caso, é importante indicar a teoria ou as teorias quefornecem a orientação geral da pesquisa. 
Obs: Nem sempre é possível definir com clareza qual a teoria que lhe dará sustentação, principalmente se o assunto é muito recente e ainda não há respostas concretas que o defina; por isso, este item não aparece em muitos projetos de pesquisa. 
A finalidade da pesquisa científica não é apenas um relatório ou descrição de fatos levantados empiricamente, mas o desenvolvimento de um caráter interpretativo, no que serefere aos dados obtidos. 
Para tal, é imprescindível correlacionar a pesquisa com o universoteórico, optando-se por um modelo que serve de embasamento à interpretação do significadodos dados e fatos colhidos ou levantados. 
Todo projeto de pesquisa deve conter as premissas ou pressupostos teóricos sobre osquais o pesquisador (o coordenador e os principais elementos de sua equipe) fundamentará sua interpretação.

Fonte: Técnicas e práticas de pesquisa em Educação Prof.ª Jane Nogueira dos Santos Aula 6: 

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Sejam bem-vindos!!!

Alunos da disciplina no segundo semestre de 2008


Vcs estão convidados a se cadastrar e a participar do blog da disciplina e a colaborar com a inserção de informações sobre os temas de pesquisa científica e trabalho científico.
Enviem um e.mail solicitando seu cadastramento.